ESPELHO

abril 4, 2011

 

 

 

 

 

 

 

 

olho, reolho, transolho e não sou eu mais em lugar nenhum, ainda bem, pedra sobre pedra, nada ficou do que foi, fui, a não ser um vir a ser inspirado em clavículas de focas ou desmonte de galáxias tão remotas quanto uma tribo de iguanas em galápagos

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um séquito levitante de corpos

agosto 19, 2008

Ao contrário do que canta um bando de humanos
abandonado pela grandeza cósmica,
temos uma galáxia em cada unha,
um espaço sideral por neurônio
e uma voz que soa nos confins do infinito.

Somos, portanto uma poeira e um todo.
Obcecados por um Deus perfeito
que tudo vê, tudo sabe e tudo é,
passamos a vida catalogando defeitos
em tudo o que vemos, sabemos e somos.

Assim,
tal qual um cadáver numa cadeira de balanço,
pisamos nas formigas insignificantes
e cultuamos grande amor pelas estrelas distantes.
Ora! Um arco-íris pode tanto gerar outro
quanto prenunciar uma catástrofe.

Haveremos de inventar um Estado de Nervos Sereno
em sintonia com a atmosfera
de onde surgirão corpos leves flutuando sobre tapetes,
livres de Deus e da gravidade,
desembaraçados dos novelos e dos nós,
fartos de tudo que seja você – eu,
irremediávelmente livres e felizes,
escultores, ladrões, ases da aviação,
um séquito levitante de corpos…