junho 22, 2011

Naturalmente, tentava lhe transmitir o sublime de certo poeta.

Seus olhos, contudo, lembravam os desvios da minha vida.


junho 22, 2011

Ana e Gabriel equilibravam-se simétricamente numa gangorra

            marrom. Em torno do parque cintilante um anel de palmas

            aplaudia o show. Por absoluta falta de ticket um popular

            foi retirado da arena.

            Entre o dia e a noite criava-se um elo de luz.

            Um discurso eloquente desviou a atenção:

            “Precisamos restaurar as ruínas!”

 

 

 

 

 

            Quando tudo parecia perdido,

            surgiu do Atlas-Trevas

            a Taturana-Rainha.

            Emoção. Perplexidade.

 

 

 

 

            Sim,

            sonhamos um romance búlgaro em seis minutos

            e depois escorregamos via caracol

            até o Lago das Vertigens.

 

 


junho 21, 2011

Durante uma longa e perplexa noite, os 4 mosqueteiros

 Tentaram convencer o Rei das vantagens de Certo Ato.

 “Óbvio!” clamavam ‘Óbvio!” insistiam os 4.

 O Rei, contudo, devorava maçãs e mantinha Olhar Distante.

 

 

 – Decretos estapafúrdios! Colisões de carruagens! 

 

 

 Passados três meses e meio de absoluto silêncio,

 certa cabeça foi colocada a prêmio :

 o abominável Esquilo pagaria com a morte pelos crimes

 que, supostamente, cometera em Certo Agosto.

 

 

 

 Pelos corredores vermelhos do Palácio Real

 circulava uma palavra-senha : justiça.

 No Jardim de Execuções, contudo, permanecia a forca vazia

 rodeada de neve e de olhos ávidos por sangue.

 

 

 

 Moral da história : em reinos fictícios os esquilos são invisíveis. 

 


junho 21, 2011

Mágica madrugada de enganos,

           Intenso movimento escadas-caracóis-bigodes-exigentes queriam

           nossa presença volátil em seu Castelo de Grades Rígidas.

           Queriam estúpidas garantias sobre nossas almas molhadas.

 

 

 

 

 

 

           Diasepan, Rhoepinol, Hepatix 2, Gelol, Liquid Paper, Iodex, Mercúrio

           Cromo. 

 

 

 

 

 

 

 

            Paralelepípedos molhados incentivavam a rebeldia : velozes

            carrinhos cream crackers moíam polvilhos entre ventres de

            legumes frescos.

 

 

 

 

 

 

            Notas fiscais, aventais SK, e um bando de súditos em

            greve gritavam : Brasília is very near…

 

 

 

 


junho 21, 2011

Solitário poeta nadador atravessando o Canal da Mancha

adota as nuvens como filhas e a água como mãe.

 

 

 

Um marinheiro turco navega no Mar Vermelho. Sonha com

um cacho de uvas do Irã e acorda com água na boca.

 

 

 

O pássaro que conversava com Pitágoras pousa na pista

do Aeroporto de Convenções Lógicas : surpresa.

 

 

 

Espelhos a bombordo provocam colisão de embarcações

gêmeas. Botes ao mar. Pânico comedido.

 

 

 

Sensível dilatação nas pupilas do Capitão Nair. Teste

de lunetas Silksen. Strip-tease à vista.

 

 

 

Entre o Golfo e o taco pérsico um nissei abstrato

massageia um hidroavião semidestruído.

 

 

A potente câmera do submarino Delta H registra um

violento combate entre polvos líbios.

 


junho 21, 2011

Lentamente,

vamos conhecer o silêncio que se intercala entre

os ruídos.

 

 

Calmamente,

esquecimentos na manhã clorofilada.

 

Ondas que quebram nos rochedos.

 

 

Nada, nada….


junho 21, 2011

Há muitos anos atrás um homem me falou sobre

um tempo solene que se instaurava nos telhados

de uma cidade marroquina.

Este homem gentil, calvo e jovem marcou época

em minha vida.

Ele costumava relatar história que vivera num

navio. Seus olhos visionários e azulados dividiam-se

entre o casco e o mar.