O DALAI QUE REENCARNOU EM ELVIS

fevereiro 22, 2011

 

Em nossas cabeças idealistas os religiosos e iluminados são todos castos. É inimaginável, por exemplo, um Dalai Lama, uma espécie de Papa Tibetano, tendo uma vida de mil prazeres eróticos com centenas de mulheres. Mas é extamente isto o que a história nos conta.

No século XV, o Quinto Dalai Lama (1617-1682) além de ter construído o Palácio Potala, em Lhassa, capital do Tibete, transferido para lá a sede política do governo tibetano até a invasão chinesa em 1959, e de ter unificado os povos budistas vizinhos como mongóis e chineses, notabilizou-se por facetas, digamos, menos convencionais.

Poeta, filósofo e historiador, O Grande Quinto Dalai Lama, como ficou conhecido Ngawang Lobzang Gyamtso, foi autor de cerca de 235 trabalhos na área de filosofia, meditação, poesia e história. Estes escritos estão reunidos no livro O Manuscrito de Ouro, onde foram registradas e reveladas sua visões profundamente místicas, a origem de seus poderes mágicos e seus conceitos teológicos.

Esta obra começou a ser escrita em 1674 e só foi concluída onze anos após a sua morte. Nela, os leitores são convidados a entrar num universo secreto onde as manipulações das forças psíquicas humanas são explicadas e desvendadas. É considerado um dos livros mais complexos, profundos e perfeitos da história do Budismo Tibetano.

Além disto, o Quinto era um exímio praticante do tantrismo e, segundo uma de suas biografias, um “pândego, libertino e notório mulherengo… “Quebrou tabus da moralidade sexual e instaurou, no front do Palácio de Potala de forma absolutamente precoce e vanguardista, o rock and roll no budismo. Até pouco tempo atrás suas canções de amor ainda eram bastante populares entre o povo tibetano. As casas de Lhassa onde ele mantinha encontros com suas amantes eram marcadas com um intrigante símbolo fálico.

Diante da censura que enfrentava por parte de seus conselheiros (e só deles, já que o povo e, principalmente as mulheres, o achavam o máximo), certo dia chamou-os no ponto mais elevado do Palácio de Potala e urinou sobre o parapeito. Segundo a lenda, sua urina teria caído em cascata através dos muitos telhados que compunham o Palácio. Quando atingiu o chão, o Super-Dalai respirou profundamente e, milagrosamente, recolheu a urina de volta. Sim! Algo nos moldes daquelas cenas de cinema que voltam para trás! E, diante do olhar abismado de seus detratores, o Quinto Dalai exclamou: “Quando vocês souberem fazer o mesmo, também saberão que a minha sexualidade é muito diferente da sexualidade vulgar!”

Isto tudo, que pode parecer um espetáculo circense, tinha como justificativa dividir o amor sexual em dois: o tântrico onde a marca registrada era (e é) a evolução dos princípios sexuais e o sexo animal bossal, que é pura manifestação das necessidades fisiológicas.

O tal quinto Dalai Lama, que chocou o clero da época, era realmente um libertino, visionário, mágico e mulherengo. Em outras palavras, o Grande Quinto convenceu seus assessores moralistas de que sua banda de rock and roll não era uma banda datada, ordinária. Dizia o band leader em suas canções eróticas: “Para mim o ato sexual /não é o mesmo que pra vocês… / Eu sou o tântrico / O que transcende a união sexual / e a transpõe para o plano cósmico!!!” O cara não era mole!

Dizem as escrituras extra-oficiais que o Grande Quinto reencarnou no século passado com o nome de Elvis Presley.


EVACUANDO IDÉIAS NA SELVA DO IMPROVÁVEL

janeiro 21, 2011

 

 

Senhores! Só a sabedoria atávica e displiscente dos vagabundos tem algum valor! Os cientistas enclausurados em suas lógicas esperneiam em cima dos relógios e preferem um calendário gregoriano a um vôo livre no vertiginoso reino do improvável! Para estes homens basta uma estrela opaca brilhando no firmamento ou uma concha raquítica rejeitada pela luxúria do mar!

 

Senhores! Não atingimos nem o estágio de um casulo de borboleta! Abram seus olhos adormecidos pela longa treva e vejam, sem nenhum dinheiro no bolso da calça azul marinha, o maravilhoso espetáculo! As sementes estão levitando pelo ar e isto já é motivo de festa para quem tem dois olhos! Lembrem-se que existe uma sabedoria vagabunda embutida nas asas dos insetos mais insignificantes! Eis o jogo das dimensões : o que nunca foi visto substitui o já visível. O indescritível torna-se escritível. Cifra-se o indecifrável. As relações pessoais mais banais ganham um contorno perturbador, inquietante, repleto de sensações ancestrais que precisam ser decifradas, uma a uma, sem vacilos, sem deixar que o leite escorrido numa tarde provisória de sol coalhe sobre o vestido verde guardado no armário.O Sol arrebenta o céu, etc., etc., etc.

 

Senhores! Não estou aqui como um profeta que não sei quem sou! Portanto, cancelem suas expectativas de aqui algo novo ou ultrajante vá explodir em suas hortinhas de rabanetes verdes e amarelos! Sou um homem sem pontos! Entendam meu êxtase exclamativo! Sou um pomar pelo que a palavra pomar exala em sua sublime sonoridade, um sonhador de aromas, colecionador de neuroses adequadas ao tempo em que vivemos! Vejo a chuva como uma relação sexual entre a água e o solo e depois da chuva corro para a rua e vejo, atrás daquelas bocas tagarelas, uma lua sem nome! Assim, criamos um funcional sistema telegráfico por onde as idéias vão escoando, recuando, avançando, Evacuando Idéias na Selva do Improvável, eis, senhores, por onde andamos nesta manhã de um vento tão improvável : irremediávelmente perdidos, meditando sobre esfinges esquecidas pela história.

 

Aqui, onde o máximo do real é representado por um posto de gasolina. Francamente! O que é isto? Mancha de petróleo na distração do amor? Móveis incendiados em leilões comandados por capivaras? Móveis que poderiam servir a uma série de odontologistas renomados e que são despencados de uma varanda coberta por trepadeiras douradas em noites de tédio da riqueza? É contra estes despencadores de móveis Luís XV, ou XIV, que lanço o meu mais cruel olhar de desprezo! O Sol não é o único Deus! E nem Deus cabe no que Deus é!. Tenham um bom dia!


PRAIA DE MARFIM

março 9, 2010

noite – lua cheia

numa praia a nave pousa

luminoso carrossel

 

vem trazendo a ceia 

desta fauna louca

que também veio do céu

 

ondas violetas tingem o mar

e o mar desnuda-se do azul

de toda ilha afluem pinguins

e os pinguins dançam ao redor do disco voador

 

podem ser de vênus

estes seres lindos

cujo corpo é pura luz

 

mas isso é de menos

eles são bem-vindos

e já chegam todos nús 

 

nuvens rosas tingem o céu azul

e o céu azul atinge o mar

de toda ilha afluem índios nús  

e os índios nús dançam ao redor do disco voador

 

quando o sol desperta

iluminando a festa

que parece não ter fim 

 

a areia fosforesce

e outra nave desce

sobre a praia de marfim

 

milhões de borboletas tingem o ar

e o ar camufla-se de cor

de toda ilha afluem serafins

e os serafins dançam ao redor do disco voador

 

(Para ouvir estas e outras músicas do disco EM DIA COM A REBELDIA  de Ciro Pessoa, www.reverbnation.com/cpessoa : é rock, é psicodelia, é surrealismo. )


ASSIM FALOU SERGE GAINSBOURG

junho 17, 2009

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A burrice é a descontração da inteligência.

Eu acho que é mais aceitável fazer rock sem pretensão do que fazer uma canção ruim com pretensão literária. Isto é realmente insuportável.

A amizade é mais rara do que o amor e necessita uma integridade absoluta.

Não sou deste mundo. Não sou de mundo nenhum.

As mulheres, no fundo, adoram os misóginos.

O amor é um cristal que se quebra em silêncio.

Quando tudo vai mal é preciso cantar o amor, o belo amor. E quando tudo vai bem, cantamos as rupturas e as atrocidades.

A beleza é a única vingança das mulheres.

Jornalista : Você se ama? Gainsbourg : Não, não gosto de por na minha boca aquilo que acabou de sair do meu nariz.

Só lavo as minhas extremidades. Tenho a pele seca. De toda maneira, só as pessoas sujas se lavam.

Não tenho nenhuma pretensão de ser eu mesmo.

Jornalista : Em algum momento você mudou seu visual de maneira radical? Gainsbourg : Nunca fiz cirurgia plástica, se é o que você está me perguntando. Só cirurgia mental.

Até a decomposição, eu comporei…

O objeto mais precioso é a mulher-objeto.

Minha ocupação favorita? Escutar minha barba crescer.

 

Do livro Pensées, provocs et autres volutes, de Serge Gainsbourg. Traduzido por Mantraman


abra a boca : é sucrilhos

junho 15, 2008