O LABIRINTO DO SR. ENO

abril 22, 2011

 

o que se conta aqui é a história do homem. segredos. túmulos. miragens. o que se conta aqui é a história dos disfarces. a Terra permanece intacta. o que se conta aqui é a história secreta dos homens : um mostruário dos seus disfarces. a Terra é a mesma que gira entre planetas. o que se conta aqui é a história dos disfarces humanos. das máscaras chinesas às alegorias carnavalescas. a Terra é a mesma. o que se conta aqui é a história das grafias. dos hieroglifos egípcios aos dígitos computadorizados. caligrafias. o que se conta aqui é a história da Terra. a mesma que gira sem disfarces. o pêndulo e suas leis imutáveis. o que se conta aqui são os olhos de um silvícola assustado e o leme de uma embarcação perdida. a Terra é um mistério insondável. o que se conta aqui é a história de um segredo. a Terra pertence a um povo nu e sem memória. o que se conta aqui é a história dos esquecimentos humanos. o que se conta aqui é a história dos silvícolas assustados com a luz de uma manhã e com o poder mortal da pólvora. a Terra é que gira. o que se conta aqui é a história da luz que deram cor aos quadros de Van Eyck e sombra aos afrescos de Michelangelo. a Terra é a que abençoa. o pretexto intacto. o que se conta aqui são as pessoas e os seus elos. os infinitos infinitos contemplados por um Buda e o segredo que encerra a palavra nirvana. a Terra é um pássaro. o que se conta aqui são as fábulas de uma ilha e as crenças do povo que morava naquela ilha. os peixes são o pretexto desta fábula. o que se conta aqui é a história da vaidade. o veludo é a Terra. o que se conta aqui é a história de um coração. a Terra é um pêndulo a qual Mallarmé se referiu como sendo aquilo que liga a noite ao dia. o que se conta aqui é a história de uma manhã que se negava a nascer e por isto a festa e a celebração foram dando lugar às trevas e ao vazio. a Terra dá as árvores. o homem viaja no veículo. a luz no tempo. as vacas etc. o que se conta aqui é a história dos hexagramas e a origem do verbo. o que se conta aqui é a história da roda e da fala. a Terra intacta. o que se conta aqui é a história da história das repetições. o homem ora. algumas vacas. 

 

 

o que se conta aqui. vacas. manhãs intermináveis.

 

 

 

 

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ÓBITO

abril 11, 2011

 

 

 

 

certifico que está registrado neste livro o nascimento de tenzin chöpel, vulgo mantraman , sexo masculino, nascido no dia doze de junho de mil novecentos e cinquenta e sete às cinco e meia da manhã na comarca de samsara

 


DESDÉM

abril 3, 2011

 

 

 

 

 

guiado por uma insensata compaixão, lanço luzes sobre uma barata numa noite de chuva e vento, ela pousa no meu ombro, carente do amor humano,“porque eu e não a borboleta?” ouço sua queixa tão justa quanto o estreito de gibraltar, deixe estar, deixe estar


DESTINO

março 31, 2011

  

 

 

 

 

 

 

 

com o tempo, e um tempo vivido de uma forma abismal, tornei-me um aficcionado do acaso, descrendo por completo de livre arbítrio, auto determinação dos povos, reencarnação, carma (embora este cara tenha me dado um puta trabalho até o dia em que desnudei sua face e vi que ali vivia o mero,simples e redutor acaso), até chegar a este petulante imbecil com opiniões que briga como um selvagem pelos seus pontos de vista assim como um esquilo luta com seus irmãos pela última noz


EGO

março 30, 2011

 

 

 

 

 

 

 

 

bem que buda me avisou que o ego é mais inteligente do que o mais inteligente dos budistas, pensei, ego, airbag da mente, logo mandei meu ego catar jaboticabas (estratagema para distraí-lo), não funcionou, fingi que eu era o paulão, ele me disse “ acha que eu sou tão estúpido quanto um carrinho de autorama?” e finalmente parti para uma estratégia radical disfarçando-me de omelete, fui logo detectado, questão de segundos, ah buda, o ego tudo vê

 


FAMÍLIA

março 29, 2011

 

 

tomado por megalomaníaco excêntrico desajustado gênio derrotado cada qual com seu adjetivo e seu afeto recalcado preocupante sou expulso de casa em casa até chegar nesta cabine de navio onde passo os meus dias misturando o azul entediante do céu com o amarelo sonoro da bandeira de karmapa : o próprio cinema novo quis levar um papo comigo mas eu sou o grilo e temo sapatos vulcabrás


AVENTURA

março 28, 2011

  

 

 

 

 

possuído por legítimo delírio avisto entidades divinas em mulheres ordinárias produto de um binóculo desajustado meus olhos imersos numa comoção sangrenta antevêem os primeiros movimentos de um filme cujo nome ah o nome é o que nunca foi visto e jamais será, primeiros indícios da minha magnífica pretensão