LIMITE

abril 8, 2011

 

 

 

 

na madrugada de um dia dezessete fui profundamente atingido por uma pergunta terminal :de tudo o que me rodeia o que é de fato imprescindível para que eu permaneça vivo?, todos os objetos descartados, fiquei com a ilusão de que ela ainda me amava

 


MÉTODO

abril 1, 2011

  

 

 

 

 

 

durmo quando tenho sono, acordo quando abro os olhos, e assim, de maneira natural, vou desregrando os meus sentidos a fim de conhecer estes icebergs de isopor que povoam incessantemente a minha mente que é um monte eternamente apaixonado pelo corpo atômico dos rinocerontes e a sublime incoerência cósmica das sobrancelhas


AVENTURA

março 28, 2011

  

 

 

 

 

possuído por legítimo delírio avisto entidades divinas em mulheres ordinárias produto de um binóculo desajustado meus olhos imersos numa comoção sangrenta antevêem os primeiros movimentos de um filme cujo nome ah o nome é o que nunca foi visto e jamais será, primeiros indícios da minha magnífica pretensão

 


NO FLUXO DO RIO DE PENSAMENTOS

março 28, 2011

 

 

 

 

 

intensos clamores chamavam-me em direção às duas antenas verdejantes, ali instaladas em pasto cósmico, e eu, tão distraído e consciente , “hei, humano, quando haverá de me pisar com seu sapato vulcabrás? enquanto viaja em seu cogumelo parece um cavalheiro”, meio dia, um sol de judas, minha face de suores, uma claridade anti-retina, e o grilo, levando aquele papo

 


O DESERTO E SUAS MIRAGENS

março 16, 2011

Foram três dias de intensas ilusões. A primeira chamava-se Cláudia e era alta, loira e bela, muito bela. Tê-la era uma questão meramente estética. A segunda foi Tereza que além da beleza tinha o atributo precioso da loucura. Tê-la era aventurar-me em paisagens inauditas. A terceira, Fernanda, beleza, loucura e poesia. Tê-la era ter-me. No quarto dia caí em mim.