I

Passam os dias da minha vida, estações, dores efêmeras que devo abençoar em nome do mais profundo sentimento de beleza. Que venha a mim a tristeza sob suas mais diversas formas : portos sem navios, estátuas em decomposição, salas desertas. Eu quero a tudo decifrar e sentir porque sou o filho e o pai desta natureza que me invade os olhos. Que fiquem contidas nestes versos todas as lágrimas derramadas pelos poetas de todos os tempos que sofrem e sofreram a Dor.   

 II

Amor, a árvore que plantamos numa noite de verão e que resistiu às mais ferozes ventanias e tempestades, que ficou nua e se nutriu do ódio de quem a desnudou, amor, esta árvore esconde um pouco da nossa história pela sua ingenuidade e simplicidade.

 III

A lembrança de um céu assim azul, de um outro junho, onde as minhas esperanças eram vagas e portanto intensas, fez com que meus olhos captassem o sutilíssimo movimento do tempo em sintonia com esta minha alma que já não chora,  mal escuta a voz da minha mãe, nem o rumor dos oceanos, o farfalhar das folhas e penetrou de vez no caleidoscópio da vertigem.

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