maio 31, 2011

Células, matinês.

 

 

Acumulação de mitos.

 

 

Erros, erros.

 

 

Cotonetes-desconexos.

 

 

Hunos no metrô.

 

 

Malis, Bagdás, Budas.

 

 

 

Cada qual com a sua cabeça.

 

 

 

Numa manhã de maio descobrimos um tom do amor :  distração.

 

 

 

 

Voávamos sobre os telhados. Nenhum beijo, nenhuma culpa.

 

 

 

 

Noites, noites, noites.

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maio 26, 2011

O Um que fui de manhã, sério e introspectivo, foi motivo de risos para o Um da tarde, mágico e apaixonado, agora vistos pelo Um da noite, olho poético.

O que se conta aqui : vacas, manhãs intermináveis.

O dinheiro comanda as relações mundanas e pretende interferir nas sublimes.

Será que tudo o que faz a felicidade dos homens tem de ser a origem de seus sofrimentos?

Errei, logo esqueço.

Me tomem, homem-pássaro.

A humanidade se desloca.


maio 20, 2011

Nesta noite ternura e crueldade tombarão como peças de xadrez pelos estofados azuis do céu. Que se misturem no horizonte o terno colhedor de tulipas e o abominável degolador de cabeças. Que se abra um outro olho adormecido. Partiremos.


maio 19, 2011

A fábrica de idéias está fechando. Em breve fluiremos como um vapor sem memória através de um rio sem margem.

Pensei na possibilidade da sua ausência furtar o meu par preferido de abotoaduras.

Os insetos moviam-se no ar úmido. Chovia. O céu era uma chapa de pulmão.

Através da janela meus olhos varavam paredes e montanhas e espatifavam-se num porto turco onde um grupo de turistas frívolos embarcam em cruzeiro sem volta.

A manhã é o período mais adequado para matar dragões criados em horas soturnas.

Abismo abaixo : velocidade das pétalas, beleza dos espinhos, vertigem inevitável.

O mar não envelhece.


maio 17, 2011

“Ts’ui Pen teria dito uma vez : retiro-me para escrever um livro. E outra : retiro-me para construir um labirinto. Ninguém pensou que livro e labirinto fossem um só objeto.”  ( Jorge Luís Borges/ O Jardim Das Veredas Que Se Bifurcam)


maio 16, 2011

Escuta Melissa : basta uma palavra para destruir o sólido edifício da calma. Esta noite eu tive um sonho. A Lua caiu num prado. Ele negava-se a entender o sentido da palavra calma. Na letra P do fichário de consultas encontramos um desenho. Mais adiante, poetas suicidas. Sugeri um tema mais sólido : análise da imperfeição humana. Ele retrucou : “a calma é o passo que antecede o abismo.” Escuta Melissa : porque será que tudo o que faz a felicidade do homem tem de ser a origem do seu sofrimento? As paredes estão se fechando.

Esta noite eu tive um sonho que só agora me lembrei. Nossa vitrine foi apedrejada pelos bárbaros. E o espetáculo da vida infinita converteu-se num túmulo eternamente aberto. Ele ainda me disse que admirava homens que colecionam baús. Só num ponto concordamos : aquele objeto que espumava sobre a grama era uma Lua. A chave é a palavra calma. 

Escuta Melissa : não insista nesta idéia de obra e labirinto.


maio 13, 2011

                           do alto deste imenso nada

                           farei com que caiam (levemente)

                           minhas palavras como plumas inúteis e belas.

                           tenho na memória vagas lembranças

                           da noite passada

                           alguns versos distantes, rostos e vozes.

                           farei minhas palavras despencarem

                           e com elas despencarei eu também

                           e todo o meu passado será de uma só vez extinto.