ATENÇÃO SERES HUMANOS : ESTAMOS NO COSMOS

 

Conheci ao longo da minha vida alguns seres especiais (espaciais, infelizmente, jamais) e posso inferir: o homem perfeito é uma rocambolesca utopia de morango .Bobagem. O que existe são seres que aprenderam como atenuar o sofrimento e suas causas e, evidente, estão mais próximos do sentimento mais cobiçado pela humanidade, a serenidade – já que a felicidade não é  um produto palatável, fugaz como o vento, não para quieta, impossível retê-la, trem em movimento cósmico.  

Os budistas dizem que estamos aprisionados no Samsara : trata-se de uma magnífica explicação sobre o funcionamento da mente humana e os seis reinos ou agregados mentais onde estamos cumprindo uma espécie de prisão perpétua – onde perpétua quer dizer infinitas vidas. Socorro eu quero sair daqui. O estado de nirvana ou de iluminação se dá quando conseguimos se mandar da roda do Samsara e as causas do sofrimento são, finalmente, controladas, conhecidas e dizimadas. É um processo lento sem nenhuma vertigem e dizem aqueles que lá chegaram que vem sem nenhum sinal evidente de que lá chegaram. Crêem os leitores que o samsara é o contrário do nirvana, como são o paraíso e o inferno para os cristãos? Não. Na absoluta ausência de dualidade que caracteriza o budismo, Samsara é o mesmo que nirvana. Os orientais são foda. Muito inteligentes.  

Uma das causas mais comum de sofrimento vem da nossa insana batalha para provarmos a nossa existência individual. O EGO É ÁVIDO. Em geral atribuímos este papel a um outro. Mendigamos por um elogio, uma crítica, algo que nos confirme enquanto ser humano. O EGO É INCANSÁVEL. As relações conjugais, familiares e sociais são exemplos claros deste tipo de confirmação do ego. O EGO É SOMBRIO E DOENTIO.  

Mas, até que ponto existe solidez neste eu e neste outro? Segundo o tibetano Chögyam Trungpa em seu genial e definitivo livro O MITO DA LIBERDADE “no começo existe apenas o espaço aberto, o zero, aquilo que se autocontém sem relacionamento. Mas, a fim de confirmar este estado zero, somos compelidos a criar o um para provar que o zero existe…”.  

Ou seja, passamos a vida construindo algo “sólido”, um nome, um eu, nos protegendo da morte e acreditando que estaremos seguros sobre este piso. Mas, de repente, escorregamos para fora dele. “Na verdade, conclui Trungpa, nosso trabalho de prolongar o piso a fim de garantir nosso chão, não passa de uma grande piada, a maior de todas, uma piada cósmica”. ATENÇÃO SERES HUMANOS : ESTAMOS NO COSMOS.  

Mas aqui o leitor há de se perguntar : e o que devemos fazer para escapar desta e de outras armadilhas do samsara? Pois bem, quase todas as chaves da porta do corredor que liga o samsara ao nirvana, estão inseridos nas práticas (a leitura, com certeza, não nos leva a muita coisa), como a da meditação. Ali, dentro de você, com aquela gritaria que são os seus pensamentos, com a sua respiração ritmada, sentado, a coluna ereta, você estará vivenciando o espaço aberto. O “zero” a que Trungpa se refere. O nada ligado ao nada. Os pensamentos passando como nuvens.  

Com certeza, depois de alguma vida meditativa, o sagrado leitor há de achar graça na piada cósmica contada por Chogyam Trungpa.

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