MANTRAMAN NO PAÍS DO ESPELHO ( FINAL)

 

 

Uma margaridinha entrou no meio da conversa. “Não ligue para o lírio, Homem Que Veio do Espaço, ele é uma flor muito mal humorada e não gosta de conversar com ninguém. Ao contrário de mim, que adoro bater um papo com pessoas que não conheço. O que quer saber de nós, margaridas? Pode perguntar que eu respondo”. Mais do que depressa, saquei da bolsa meu bloquinho de anotações e uma caneta e quando ia começar a entrevista, fui interrompido por uma violeta. “Olha aqui seu homem que veio sei lá de onde, cai fora daqui antes que eu me aborreça!” Neste momento todas as flores começaram a falar ao mesmo tempo iniciando o que parecia ser uma discussão interminável. “Você é mesmo uma florzinha muito rude, violeta!” gritava a margarida simpática. “E você é muito oferecida e tagarela, Dona Margarida!” respondeu-lhe aos brados a violeta.

Como eu não vislumbrava nenhuma saída pacífica para o conflito que eu mesmo instaurara no jardim, resolvi adiar a entrevista para a manhã do dia seguinte. Fui tomado por um certo medo e, antes que eu pudesse dar-lhe um peteleco, já me encontrava no vagão de um trem. Não sei ao certo quanto tempo viajei neste trem. Quando dei por mim, estava diante de um imenso portão de ferro com uma inscrição talhada em bronze: Castelo dos Brancos. Atrás do portão, um jardim quadriculado semelhante a um tabuleiro de xadrez e, ligado ao fim deste “tabuleiro”, um castelo que me pareceu feito de nuvens, já que ele mudava de lugar o tempo todo. Como não havia porteiro, abri o portão e comecei a caminhar a passo de peão casa após casa em direção ao enevoado e oscilante Palácio dos Brancos. Quando estava na altura da quarta casa, fui interceptado por um cavaleiro montado num cavalo branco. “Se você permanecer aí parado, na minha casa, é bem possível que tenha um triste fim, senhor…”, ele me disse com uma voz rouca mas extremamente gentil. “Homem Que Veio Espaço”, respondi de imediato.

 

 

Curiosamente, enquanto o inventivo cavaleiro idoso pedia gentilmente para que eu me retirasse do jardim, o Castelo foi desaparecendo, desaparecendo, até que sumiu por completo no horizonte. “Desculpe-me senhor Cavaleiro, é que sou repórter da revista de viagens Pirlimpimpim, lá do Brasil, e estou fazendo uma reportagem aqui no País do Espelho. Será que poderia me dar algumas informações? É que neste país tudo me parece muito estranho e estou me sentindo um tanto quanto perdido. Onde dormem os turistas que visitam o País do Espelho?”, perguntei-lhe. Ele apontou com a sua lança de algodão doce (que, a esta altura, já estava semi-derretida) em direção ao portão e quando olhei para trás, um suntuoso hotel feito de pirulitos, barras de chocolate, jujubas e outras guloseimas, surgiu à minha frente. Segundos depois, já estava deitado numa cama cujo travesseiro era uma morsa e o lençol uma aconchegante teia de aranha.

Ali dormi não sei extamente quanto tempo e, através de um sonho excessivamente real, fui parar na ante-sala que conduz ao País do Espelho bem diante do relógio que horas (dias? meses? anos? séculos?) atrás havia me dado as boas vindas com um sorriso de velhinho. Percebi que a minha viagem tinha chegado ao final. E que as flores falantes não eram um delírio da mente prodigiosa de Macro Céfalo. Ao perceber o espelho em cima da lareira resolvi atravessá-lo de volta para o “mundo normal”. Quando me preparava para atravessá-lo ainda ouvi alguém me dizer: “Volte sempre Homem Que Veio do Espaço!”. Olhei para trás e vi uma margarida num vaso de porcelana dando-me adeus.

 

                 (veja como chegar onde ficar e o que fazer no País do espelho no próximo post)

 

 

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