EVACUANDO IDÉIAS NA SELVA DO IMPROVÁVEL

 

 

Senhores! Só a sabedoria atávica e displiscente dos vagabundos tem algum valor! Os cientistas enclausurados em suas lógicas esperneiam em cima dos relógios e preferem um calendário gregoriano a um vôo livre no vertiginoso reino do improvável! Para estes homens basta uma estrela opaca brilhando no firmamento ou uma concha raquítica rejeitada pela luxúria do mar!

 

Senhores! Não atingimos nem o estágio de um casulo de borboleta! Abram seus olhos adormecidos pela longa treva e vejam, sem nenhum dinheiro no bolso da calça azul marinha, o maravilhoso espetáculo! As sementes estão levitando pelo ar e isto já é motivo de festa para quem tem dois olhos! Lembrem-se que existe uma sabedoria vagabunda embutida nas asas dos insetos mais insignificantes! Eis o jogo das dimensões : o que nunca foi visto substitui o já visível. O indescritível torna-se escritível. Cifra-se o indecifrável. As relações pessoais mais banais ganham um contorno perturbador, inquietante, repleto de sensações ancestrais que precisam ser decifradas, uma a uma, sem vacilos, sem deixar que o leite escorrido numa tarde provisória de sol coalhe sobre o vestido verde guardado no armário.O Sol arrebenta o céu, etc., etc., etc.

 

Senhores! Não estou aqui como um profeta que não sei quem sou! Portanto, cancelem suas expectativas de aqui algo novo ou ultrajante vá explodir em suas hortinhas de rabanetes verdes e amarelos! Sou um homem sem pontos! Entendam meu êxtase exclamativo! Sou um pomar pelo que a palavra pomar exala em sua sublime sonoridade, um sonhador de aromas, colecionador de neuroses adequadas ao tempo em que vivemos! Vejo a chuva como uma relação sexual entre a água e o solo e depois da chuva corro para a rua e vejo, atrás daquelas bocas tagarelas, uma lua sem nome! Assim, criamos um funcional sistema telegráfico por onde as idéias vão escoando, recuando, avançando, Evacuando Idéias na Selva do Improvável, eis, senhores, por onde andamos nesta manhã de um vento tão improvável : irremediávelmente perdidos, meditando sobre esfinges esquecidas pela história.

 

Aqui, onde o máximo do real é representado por um posto de gasolina. Francamente! O que é isto? Mancha de petróleo na distração do amor? Móveis incendiados em leilões comandados por capivaras? Móveis que poderiam servir a uma série de odontologistas renomados e que são despencados de uma varanda coberta por trepadeiras douradas em noites de tédio da riqueza? É contra estes despencadores de móveis Luís XV, ou XIV, que lanço o meu mais cruel olhar de desprezo! O Sol não é o único Deus! E nem Deus cabe no que Deus é!. Tenham um bom dia!

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