VIAGEM A TÓKIO

novembro 16, 2010

 

O luminoso azul e branco nos apresentou a viagem a Tókio como solução para alguns males amorosos este vôo partia três vezes por semana e naquele dia havia um às seis nos esperando como você tinha me dito que saindo às seis chegaríamos em Tókio não sei que horas e seria mais fácil encontrar um hotel onde poderíamos nos hospedar pelo menos na primeira noite enquanto nosso carro deslizava pela avenida íamos acumulando nossa vontade de ver o ocaso às avessas nem que fosse por alguns minutos já que estávamos sofrendo neste país sem saber o que fazer para sobreviver com alguma dignidade supondo que em Tókio tudo seria diferente o luminoso azul e branco acabou nos levando naquele vôo noturno e quando lá chegamos eu tinha a vista muito cansada e todas as letras começaram a se embaralhar enquanto os objetos perdiam a dimensão real porque a viagem tinha sido muito dura com o avião enfrentando terríveis tempestades e nevoeiros durante alguns momentos o luminoso azul e branco ainda nos voltou à mente como um caótico indicativo de nossa viagem e toda a nossa história futura apareceu na tela de cinema do avião enquanto dormíamos um sono repleto de sonhos delirantes com o filme que parecia já termos visto em outra viagem a Tókio mas que diluíra-se no vapor da memória como um foguete se dilui na atmosfera algo tão rápido e vertiginoso quanto a paixão que nos embarcou no avião para que enfim pudéssemos nos fundir num só olho e contemplar a eterna forma de um pavão como se olhássemos para uma obra definitiva já que o nosso carro não podia andar mais rápido e ultrapassar a barreira do tempo como um bólido naquela noite como era urgente como era ur

Anúncios

MEU SILÊNCIO SERÁ SEMPRE SEU

novembro 11, 2010

 

Abri a porta do sonho e por detrás da parede de seda amarela e roxa lá estávamos nós dois na tarde de chuva. A  réplica da montanha russa sobre seu colo “venha, vamos nos divertir” você me sussurrava “é só o vértice do surrealismo erótico, venha, quero você dentro da minha minha paisagem, onde o lago é rubro e um navio de cristal desliza suavemente, venha, que meu silêncio será sempre seu” 

E eu estava dançando no ar – levitando entre atmosferas  – seus lábios, o gosto de cereja do Saara, seus seios, o tom salgado de quem veio do fundo do mar, sua imaginação queimando nossos lençóis favoritos , nossos corpos dois astros incandescentes exalando luz, prestes a explodir, a palavra amor, as palavras céu, asteróide e nave, e todo o resto é uma ausência insuportável.


SOBRE UM TICKET TO RIDE

novembro 8, 2010

  

esta noite as aranhas teceram suas teias a favor da luz da lua e o céu mesmo sem estar azul estava nave solene : por isto os tais drops da ilusão terem nos abordado e bordado em nós o sonho

a favor da luz ( da lua ) é a única condição para fazer da noite um macio cais de cipós balançando entre o insondável horizonte e o reino invisível das florestas

sinto , percebo , que , caracol , volto ao mesmo ponto , aparente , passo , repasso , tropeço , o tapete mágico , o outro , o mesmo , a mesma , mesa , o , eclipse

único e grande equívoco que é a consciência da existência : perde-se muito tempo atrás do tempo e ignora-se o mistério de haver água dentro do coco : não é possível que se vá tão longe para construir uma reles fábrica de lustra-móveis

( de novo espelhos na espiral do tempo – síntese oracular – maneiras provisórias de ver e sentir – direto ao ponto na velocidade do ponto – a favor da luz da lua )