SÊMEM : QUE PORRA É ESTA?

 

semen

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando o assunto é sexo, e hoje em dia duas entre três conversas passam por este tema, tenho uma frase pronta que, dita no momento certo, sempre causa o maior rebuliço : “Amigos, eu costumo dizer, sabemos tudo sobre o Tratado de Tordesilhas e nada sobre o sêmen!” O espanto que esta frase provoca provem, primeiro, da inusitada comparação entre um episódio histórico oriundo de um passado pra lá de remoto e do mais candente e importante dos assuntos contemporâneos que é o sexo. Mas mais do que um espantoso jogo de palavras a frase é ferozmente crítica quanto à alienação do nosso próprio corpo.

 

Digo isto porque prevejo que, passada esta febre alucinante que anuncia o sexo como uma espécie de “inabalável deus pós moderno”, algo que todos querem, precisam e buscam incessantemente como fonte de prazer e transcendência, haveremos de cair num enorme vazio. Posso prescrutar uma solene e disforme multidão berrando em uníssono numa praça pública no ano de 2090 “ devolvam nossos corpos seus impostores!!!” , “fomos enganados pelo deus pós moderno!” e por aí afora. É inexorável que isto aconteça. Se é que já não começou a acontecer.

 

Hoje, para um cidadão comum, não há muita escolha com relação ao que fazer com o seu sêmen : ou ele o ejacula através do sexo com um(a) parceiro(a) ou o faz manualmente. Não existe nenhuma possibilidade de convivermos com um “excedente seminal” dentro de nossos corpos.

 

No começo dos anos 90, quando o budismo tibetano engatinhava em nosso país, fiz um retiro de três meses num monastério do Rio de Janeiro. Dentre as práticas diárias, récita de sadanas, mantras, meditação, oferendas, submeti-me a uma particularmente interessante : a prática da retenção seminal. Através de várias técnicas iogues e de meditação, onde a respiração cumpria um papel preponderante, retive a porra do meu sêmen durante dois meses e meio. A (poderosíssima) energia seminal era canalizada para outros pontos ou chacras e lembro-me que durante aqueles dois meses e meio fui possuído por uma alegria e uma disposição infinitas. É claro que o jogo de sedução sexual praticamente inexistia na vida monástica, o que tornou esta prática, até certo ponto, mais fácil do que se estivesse na chamada “vida ordinária”.

 

Lembro-me de que quando voltei à vida normal estava com meus nervos eróticos à flor da pele. E mais, parecia que estava emanando uma espécie de química que ia direto à sexualidade das pessoas. E, vejam bem, com certeza, não era nem delírio, nem ego inflado. Dois dias depois do fim do meu retiro fui a uma festa de aniversário no apartamento de um amigo em Laranjeiras. Quando dei por mim, a festa já tinha acabado e, ao meu lado, duas garotas disputavam o meu sêmen mantreado. O fato é que quando dei por mim estava com uma delas no sofá da sala do apartamento. Foi uma transa rápida, furtiva (no sentido de furto, ela furtou o meu sêmen) e sem graça. Ela com muita sede e eu com muita água. Mas tudo pareceu ter se acabado num insólito deserto…

 

Não estou aqui para ser exemplo de nada e nem de ninguém. Mal existo, se querem saber. Mas sinceramente acho que está na hora de trocarmos alguns pilares da sociedade em que vivemos. Senão, corremos o risco de ficarmos rastejando indefinidamente e jamais deixaremos de ser estas espécies de répteis com contas bancárias e sobrancelhas. E que ficam repetindo roboticamente a data do Tratado de Tordesilhas.

 

Evoluir é abrir os olhos.

 

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2 respostas para SÊMEM : QUE PORRA É ESTA?

  1. BILL HALLEY disse:

    É porraí..ops…por aí…

  2. Loan disse:

    Muito bom texto, hein. E apenas um comentário?

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