A CIDADE TRIUNFANTE

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 São Paulo, 12 de junho de 2028

 Querida Anna,

cheguei ontem em São Paulo e não via a hora de lhe escrever que Bóris não estava delirando quando nos relatou as impressionantes mudanças operadas nesta cidade nos últimos vinte anos. Imagine que o desembarque no Aeroporto Internacional de Cumbica durou menos de dez minutos. Você se lembra da última vez que estivemos por aqui? Ficamos seis horas na fila de desembarque e quando voltamos para Paris pegamos uma outra filinha de oito horas. Pois é. As coisas mudaram muito por aqui. E para melhor.

Ao deixar o Aeroporto não fui obrigado a tomar aqueles taxis azuis com seus exorbitantes preços fixos. Nem aqueles ônibus que nos deixavam na Praça da República às três horas da manhã à mercê de delinquentes e quetais. Hoje existem várias opções de transporte para quem desembarca em Cumbica. Você pode escolher entre metrô, trem e várias linhas de ônibus. Juro que levei o maior susto e demorei para escolher o tipo de veículo que me levaria até o hotel no Centro Antigo.

Enfim, resolvi seguir o conselho de Bóris. Peguei o trem que margeia o Rio Tietê e fui até a estação terminal em Cidade Jardim, às margens do Rio Pinheiros, onde havia uma conexão de metrô para o Centro. Você se lembra daquele rio morto e fedido que chamávamos de Tietê? Esqueça, aquilo não existe mais. Ele está totalmente limpo, reluzente e despoluído. Suas margens estão urbanizadas e contam com dezenas de centros culturais, quadras de esportes, escolas, creches, casas noturnas, centros de compras para todos os gostos e bolsos e, o melhor, graciosos “vaporetos” fazem diferentes trajetos vinte e quatro horas por dia.

É claro que aqueles mastodônticos congestionamentos que ocupavam aquela avenida que margeava o rio (acho que se chamava Marginal, não lembro), desapareceram por completo. A própria avenida, aliás, deu lugar a pequenas praias onde os paulistanos tomam Sol e se divertem. Inútil dizer como o ânimo e o humor dos habitantes melhoraram.

Quando cheguei na Estação Cidade Jardim, guardei minha bagagem e fui dar uma volta a pé. Eram cinco e meia e no céu tintas vermelhas e amarelas ensaiavam um glorioso fim de tarde. Andei a pé até uma prainha de areia na margem do Rio Pinheiros e fiquei ali observando algumas crianças brincando em suas águas transparentes. Um pequeno navio decorado com bandeirolas multicoloridas que tinha acabado de ancorar, oferecia múltiplas atrações culturais e gastronômicas. Resolvi entrar para conhecê-lo. Chamava-se “A Cidade Triunfante” . A bordo, encontrei quatro salas de cinema, uma biblioteca virtual da melhor qualidade, um estúdio de gravação e dois restaurantes, um indiano e outro marroquino. O “Cidade Triunfante” zarparia do cais de Cidade Jardim com destino à Estação Ponte das Bandeiras em meia hora. A viagem de ida e volta tem duração de quatro horas. E quase todas as passagens já tinham sido vendidas.

Desculpe, Anna, estou ainda um pouco atordoado e atônito de felicidade com o que aconteceu na cidade de São Paulo. Acabei de chegar no Hotel e, acredite, tudo funciona bem no meu quarto. Do chuveiro ao computador onde lhe escrevo esta mensagem eletrônica. Estou cansado da viagem e com muito sono. Vou dormir um pouco. Quando acordar deste sonho eu ligo para você.

Amor,

do seu Mantraman.

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