LÁ LÁ LÁ

setembro 16, 2008

É certo que não podemos por razões quaisquer andar por aí disparando palavras, embalando os ouvidos alheios com nossos sonhos mais secretos, não, não, não convem andar por aí sem perceber as terríveis tramas em que somos envolvidos a cada minuto grão de areia durante as infindáveis falas sem fala que o olhar lança e o corpo emana através de seus invisíveis poros, não, não, ver e ver cada vez mais sem ver e depois de algum verão próspero entrar em férias definitivas e deixar o corpo estendido no topo de uma duna de areia enquanto as horas escoam leves, impensadas e, amortecidas, rolam pelas encostas até que se encontrem com o mar elá, só lá, lá, lá é que os segundos irão mergulhar na água diamantina do oceano.

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UMA CABEÇA PARA DEZOITO PLUGUES

setembro 16, 2008


Quando cheguei, a lugar nenhum cheguei. Larguei no chão a máquina fotográfica e instalei na minha cabeça dezoito plugues para dezoito utilizações diferentes : sorvete, luz, sexo, um em cada buraco, enfileirados como coqueiros numa avenida, eram sete e meia e o relógio da estação movia seus ponteiros gigantescos e embaixo da marquize onde os dois poetas tinham marcado encontro acabara de acontecer um assalto cuja vítima, o pipoqueiro, queixava-se da falta de suas milhares de pipocas verdes, alguém tinha pasado ali e tornado a cena visível à distância, era possível ver tudo sem nenhum envolvimento através da lente fria de um microscópio, as formigas trafegavam aflitas pelos micro canais do formigueiro e também ali acontecera um furto na esquina de um movimentado canal uma formiga queixava-se da falta de uma folha seca que trazia em seu pequeno dorso como um especialísimo presente para a rainha que jogava bridge no terraço ensolarado de seu castelo quando um grito ecoou pelos corredores, uma costureira anunciava a chegada dos dois ilustres poetas às sete horas, na estação central, e fez-se um silêncio estrondoso que só foi quebrado com a chegada de um telegrama que dava conta da existência de um aparato militar que tinha por objetivo sustentar as mentiras de um primeiro ministro que, na televisão, plugava sua cabeça em duas cargas negativas enquanto explicava uma técnica para evitar furtos com a ajuda de um subordinado que fazia o papel da vítima com relativa convicção e escrevia no quadro-negro a palavra magro simplesmente para designar o contrário de gordo.

A mim próprio o espisódio não convencia.

Com a ajuda de uma guelra mergulhei no espaço-.


Budismo teórico

setembro 9, 2008

Os venenos da mente são divididos em três categorias principais. A primeira é o apego ou desejo, que inclui o ficar preso física ou mentalmente a pessoas, objetos e fenômenos. A segunda é a raiva, que significa rejeitar, não querer, afastar algo de você. O terceiro é a ignorância, que significa não ter uma noção clara da vida, não compreender a natureza verdadeira das coisas. Estes venenos agem de maneira interdependente. O que ocorre é que, quando não temos uma visão real da vida, acabamos criando desejos e apegos. E quando não conseguimos o que queremos, criamos aversão e ficamos com raiva. Os venenos da mente agem como toxinas, criando energias mentais negativas. Estas energias são expressas em nossas ações, palavras e pensamentos, causando um sofrimento cíclico, em cadeia, que se repete infinitamente.


Budismo prático

setembro 9, 2008

Mantra das 100 Sílabas da Mente Adamantina

Om Benza Sato Samaya /
Manupalaya /
Benza Sato Tenopa /
Tishta Dri Do Me Bhawa /
Suto Kayo Me Bhawa /
Anurakto Me Bhawa /
Supo Kayo Me Bhawa /
Sarwa Siddhi Memtrayatsa /
Sarwa Karma Sutsa Me /
Tsitam Shri Ya Kuru Hung /
Ha Ha Ha Ha Ho Bhagawaen /
Sarwa Tathagata /
Benza Ma Me Muntsa Benzi Bhawa Maha Samaya Sato Ah.

Recitar 21 vezes por dia. Os venenos da mente dissolvem-se.


quimera

setembro 9, 2008

Com o tempo, me tornaria um jardineiro anônimo : olharia para as pedras e para as flores e não veria mais do que pedras e flores. Talvez houvesse um momento numa noite fria e estrelada em que o mundo me parecesse estranho, mas esta sensação também sucumbiria rapidamente.


a tal crisálida que lembra

setembro 5, 2008

Ontem ou antes de ontem, andando, não me lembro bem aonde, agora, desaprendi toda aquela lição, inalando a pura sabedoria pelos flancos indiretos do cérebro.


este petulante imbecil

setembro 5, 2008

com o tempo, e um tempo vivido de uma forma abismal, tornei-me um aficcionado do acaso, descrendo por completo de livre arbítrio, auto determinação dos povos, reencarnação, carma (embora este cara tenha me dado um puta trabalho até o dia em que desnudei sua face e vi que ali vivia o mero,simples e redutor acaso), até chegar a este petulante imbecil com opiniões que briga como um selvagem pelos seus pontos de vista assim como um esquilo luta com seus irmãos pela última noz