um séquito levitante de corpos

Ao contrário do que canta um bando de humanos
abandonado pela grandeza cósmica,
temos uma galáxia em cada unha,
um espaço sideral por neurônio
e uma voz que soa nos confins do infinito.

Somos, portanto uma poeira e um todo.
Obcecados por um Deus perfeito
que tudo vê, tudo sabe e tudo é,
passamos a vida catalogando defeitos
em tudo o que vemos, sabemos e somos.

Assim,
tal qual um cadáver numa cadeira de balanço,
pisamos nas formigas insignificantes
e cultuamos grande amor pelas estrelas distantes.
Ora! Um arco-íris pode tanto gerar outro
quanto prenunciar uma catástrofe.

Haveremos de inventar um Estado de Nervos Sereno
em sintonia com a atmosfera
de onde surgirão corpos leves flutuando sobre tapetes,
livres de Deus e da gravidade,
desembaraçados dos novelos e dos nós,
fartos de tudo que seja você – eu,
irremediávelmente livres e felizes,
escultores, ladrões, ases da aviação,
um séquito levitante de corpos…

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