formigas não matam bodhisatvas

agosto 19, 2008

fluxo de espelhos na avenida
perfilar de saúvas no canteiro central
vagalumes desligados e pernilongos indolentes
ensaiam pela última vez
a dança dos insetos que não deram certo

casais de gafanhotos acrobatas
gritos histéricos – monocórdicos
emas: lhamas
um passar exagerado na intrigante fauna terrestre
eis o que basta para um homem:
ver-se em formigas.

em breve
iniciar-se-á o ciclo da iluminação humana
inevitável único caminho –
o tempo é uma luz por demais soberana
independe de nossa vontade
reina naturalmente:

formigas são estrelas no firmamento

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um séquito levitante de corpos

agosto 19, 2008

Ao contrário do que canta um bando de humanos
abandonado pela grandeza cósmica,
temos uma galáxia em cada unha,
um espaço sideral por neurônio
e uma voz que soa nos confins do infinito.

Somos, portanto uma poeira e um todo.
Obcecados por um Deus perfeito
que tudo vê, tudo sabe e tudo é,
passamos a vida catalogando defeitos
em tudo o que vemos, sabemos e somos.

Assim,
tal qual um cadáver numa cadeira de balanço,
pisamos nas formigas insignificantes
e cultuamos grande amor pelas estrelas distantes.
Ora! Um arco-íris pode tanto gerar outro
quanto prenunciar uma catástrofe.

Haveremos de inventar um Estado de Nervos Sereno
em sintonia com a atmosfera
de onde surgirão corpos leves flutuando sobre tapetes,
livres de Deus e da gravidade,
desembaraçados dos novelos e dos nós,
fartos de tudo que seja você – eu,
irremediávelmente livres e felizes,
escultores, ladrões, ases da aviação,
um séquito levitante de corpos…


um monte de coisas vagas

agosto 12, 2008

sou o herdeiro do caos e da devastação
— = estes objetos de ouro não me pertencem
nada tenho ~nada — +
perdi-me no ciclone da noite passada —
sob o olhar complacente de alguns amigos ~ ~
(“hei man a cigarette, please!”) mergulhei no espelho de água: :
~ meu ouro ? a bondade
entre as estrelas e peixes luminosos ~ ~ ~
palavras sagradas ~ silêncio monástico
fiz da bondade minha única aliada
-minha única alegria > >
meu lugar ? o ar
fonte onde me alimento e nado: : :
peixe ~ cego ávido de luz
feto de um poeta renascido (nuvens) (~)
(~ que chatice o ego de um poeta: :
parecem os donos da Lua —
vagos herdeiros da extravagância)
walt whitman sobre ecos ~ ocos
&oando ao redor do lago onde pensamentos
palavras nascem
poe&ia — herdeira da existência —
hóspede inconvenientementeconveniente -~-
mapas de navegação ~ flutuando ~
sobre a pele do oceano – >
restos de neurônios ~levitando ~
entre gazes de uma galáxia qualquer >
são meus ~ fragmentos de deus


O BUTÃO NÃO EXISTE

agosto 12, 2008

É claro que um sujeito que está tentando ir
para um país chamado Butão
há mais de dez anos
e o pior, diz a todos que encontra
que de fato está indo em janeiro
às vezes em fevereiro, março,
é claro que este sujeito
está com alguma anomalia
que a psicanálise deve ter um nome
a psiquiatria um remédio
e a igreja uma penitência.

Mas no fundo
o problema do sujeito
pode ser uma pura questão de falta de sorte
ou simples falta de persistência, ou seja,
nada que a ciência possa resolver de imediato.

Em outras palavras,
a ciência não entende nada
de sujeitos que estão sempre indo
para o Butão mas nunca vão.
Aliás, a ciência ainda não sacou
que o Butão já está no sujeito
e este é o grande e real problema,
achar que o Butão é um
e o sujeito outro.

Este raciocínio símio
tem atrasado a evolução humana
em no mínimo dois minutos.
Não fosse tal equívoco
e já estaríamos todos no Butão
entre vagalumes budistas
absolutamente iluminados,
andando ao redor das montanhas
que só existem no Butão
travando contatos com butaneses
que se passariam por extra-terrestres
e butanesas que fatalmente nos induziriam
à arte banal e secular do vôo.

Mas não,
a ciência é severa com o Butão
e prefere ignorar sua existência.
A menos que o sujeito vá lá
e prove que o Butão não é ficção:
existe com aeroportos e hotéis
quatro estações por ano,
presidente, rei, primeiro ministro,
posto de saúde e delegacia.

Enfim, tem sido muito difícil
para o Butão existir
sem que um sujeito vá lá
e prove definitivamente sua existência.


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agosto 12, 2008

É claro que a tragédia tem interferido na minha escrita. E todos sabem que ela tem planos para interferir na minha vida. Na minha própria vida.

Em suma, ela quer que eu abra uma janela. Que dê prá ela.

Inútil tentar lutar. Já conheço Trajópolis em toda a sua exuberância multiacidentada. E sei também que é inútil tentar convencê-la que de mim nasceria do dia para noite um ménvudariavalor para uma migalha.

(Em minha própria vida, vejam bem!)

Ontem pensei que estava enlouquecendo. O seguinte:escrivaninha. Sobre ela: computador. E eu, Marcelino Pimpão, diante disto tudo.

Muito a fins de entrar numa superultrajásouman-calmalá e em algum lugar pegar uma certa info. E, se possível, recolher o que é meu.

Cansei de ser um cara sem gaita.

Por exemplo.

Certas situações requerem outras situações. Repeti-las incessantemente é-praticamente enlouquecer. Quero dizer que pensei que estava ficando louco quando pressionei de maneira irreconhecível para mim mesmo a tecla enter do teclado do computador. É que tenho tido sonhos ah sonhos cada tipo tãoangúfenômenal mas sempre

*(lá fora a vida corrria. Principalmente no Rio Nilo.)

Foi sóssóssó que percebí que o sistema estava praticamentefalidohiperfalimentar E : prestes a amamentar.

É normal clamar por Deus num certo momento da vida. Pois bem chegou a minha vez.

pensei que estava na fila

e sua vida? como ficou?
É que olhando pela vidraça
*parece
que um diavidraçaquebra.

é que é em lugar anêmico de ufos em todos os sentidos (bossais trik superbonderbannersbonzais) que os lamaçais xxx
crescem , sobretudo
quando estão no supertrik-3.

logomarcadeaçõesconfederas/sssa

Não lembro se já me apresentei. Sou o sr. xxx*parece


o deus do budismo

agosto 2, 2008

“Jesuítas e outros missionários católicos recentemente desenvolveram um método no qual eles dizem aos povos primitivos, “sim, seus deuses existem, é verdade, mas meu deus é muito mais sábio do que seu deus, porque é
onipresente e assim por diante – ambidestro e tudo mais.”

Mas o budismo encara o problema totalmente diferente. Não há questão alguma de meu deus e seu deus. Você tem seu deus, mas eu não tenho deus algum. E não tenho nada para colocar no lugar. Onde está a grandeza e o poder do meu enfoque? Não tenho nada para colocar no lugar. A única coisa que pode haver para substituir é a louca sabedoria – a mente é poderosa.

 Todos têm mente. Não interessa eles ou ele, ou eles e ele, nada disso.” (Chögyam Trungpa / Louca Sabedoria)