Está tudo certo conosco

junho 21, 2008

Está tudo certo conosco. O pensamento que pensa em você. A liberdade livre. Parece filme. Hoje eu ví um casal partindo rumo à escuridão : abraçados, dividiam animadamente um potinho de salada de frutas . O que me encanta é você, é o seu segredo. Nele reside a minha vida agora. Só choro às vezes,  comendo sucrilhos, “ meu deus, como isto é bom!”.

 

Nada de novo no mundo a não ser nós. Hoje você veio aqui e me disse literalmente : “ o cérebro em seu leito flui macio e verdadeiro. Mas deixe um desvio acontecer : seria mais fácil para você devolver a correnteza aos seus caminhos quando as correntes cortarem as colinas.”

 

Odeio estar sozinho mas não suporto interrupções. Abro minha janela e vejo sabe-se lá o quê. Um esquilo, nunca ví. Com binóculos, menos ainda, nem formigas. “Não é possível que no fim o milagre não aconteça.” Como eu pensava em você , enquanto você não vinha.

 

Ninguém sabe de onde vem o vento. E tampouco as sobrancelhas. Dito isto vamos nos perder.Muito mais razoável, portanto é abrir espaço para o acaso, o fortuito. Afinal, a vida é casual, fortuita. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos. E nos procuramos em vão.

 

A descendência do caos, do mar e do céu. Ela me explicou, eu não ouví porque estava ocupado inventando um nova visão do amor. A verdade é que não me lembro mais com o que não me conformo. Fã do oxigênio, arauto da luz, protetor das formigas. A vida é uma seqüência de tragédias com pores do sol. E a Amazônia com sua pertubadora bio-diversidade.

 

Não sei o que será da Avenida Paulista quando Cronus agarrado em Zeus cuspir sua última pedra. De Ipanema quando Iemanjá e suas nove musas conferir o divino poder das canções. O próprio comportamento sexual deverá tornar-se pingüim. E assim por diante.

 

Guardem isso : “ mudar a mentalidade e a vida dos homens”. Os seres humanos são apenas uma parte do tecido da vida – dependentes do tecido completo para sua própria existência. Não podemos ignorar as formigas. Elas são galáxias em si. E por aí cintilam. Cada animal é um fim em si mesmo – sai perfeito do ventre da natureza e gera filhotes.

 

Eu falo em nome do verde da folha.

 

A meta é ar puro circulando, rios correndo limpos e soltos. E a presença de pelicanos, águias e baleias em nossas vidas. Salmão e trutas em nossas correntes. Linguagem cristalina e sonhos bons. Outra operação. Tipo tecido cósmico alinhavado. Não é possível que no fim o milagre não aconteça. Conosco vai tudo bem : não é o medo da loucura que nos vai obrigar a hastear a meio-pau a bandeira da imaginação.

 

“Mas Mantraman…’

 

Fim de papo.

  

 

 

 


isto e aquilo

junho 15, 2008

“De acordo com a visão budista, o ego ou eu, não existe. Não é baseado em
nenhum fator definitivo ou real de qualquer tipo. Baseia-se puramente na
crença ou suposição de que já que eu me chamo assim ou assado, portanto eu
existo. E se eu não sei como sou chamado, qual é meu nome, então não há
estrutura na qual a coisa toda seja baseada. A forma de trabalhar dessa
crença primitiva é que ao acreditar “naquilo,” o outro, “isto” surge, o eu.
Se “aquilo” existe, então “isto” precisa também existir. Acredito “naquilo”
porque preciso de um ponto de referência para minha própria existência, para
“isto.” (Chögyam Trungpa / Louca Sabedoria)


abra a boca : é sucrilhos

junho 15, 2008

 

 


SENHORA DOS FELINOS

junho 11, 2008

É sempre assim :

 

Você diz que vem me ver

 

Mas primeiro vem os seus gatos

 

Com os seus odores

 

E seus disfarces invisíveis

 

 

 

(  Eles acham que eu eu não os vejo

 

 subindo as escadas

 

estes magos ilusionistas…)

 

 

 

É sempre assim :

 

Antes de você chegar

 

Eles sondam o ambiente

 

Criam uma queóps confortável

 

E só depois você surge

 

 

Oh senhora dos felinos

 

Pequena maga displiscente

 

Amiguinha dos mistérios insondáveis

 

Que da janela do meu castelo ouso decifrar

 

Mas nunca, jamais, revelar  


Dorje Trölo

junho 2, 2008
  

 “Dorje Trölo surge no Tibete cavalgando uma tigresa prenhe. A tigresa é
elétrica. Ela é eletricidade grávida. É algo domesticada, mas ao mesmo tempo
tem o potencial de ser totalmente selvagem. Dorje Trölo não conhece lógica.
Em termos de Dorje Trölo, a única lógica convencional que existe é
relacionar-se com a terra e o céu. Porque o céu se forma em seu formato
particular, surge o horizonte. Há a vastidão do espaço, o céu; e há a
vastidão da terra. Eles são vastos, mas tudo bem – e daí? Você está querendo
fazer uma grande coisa dessa vastidão? Com quem você está tentando competir?
Há esta vastidão, mas porque não considerar as coisas pequenas que também
estão acontecendo? Elas não são ainda mais ameaçadoras? O grão de areia é
mais ameaçador do que a vastidão do espaço ou o deserto; porque é muito
concentrado, é muito explosivo. Há uma grandiosa piada cósmica aqui, uma
piada cósmica gigantesca, muito poderosa.” ( Chögyam Trungpa / Louca Sabedoria)

 
 
 
   

Não lembro, acho que era Bukowski

junho 2, 2008

buka21

Ouvi alguém dizer recentemente

que tudo é sexo.

Acho que foi na tv.

Não lembro.

No mesmo dia meu nariz estava branco

E alguém, como sempre, me disse

Que meu nariz estava branco.

E é bem possível que eu tenha dito

E daí? está branco mesmo.

Ou algo assim.

Não lembro.

Hoje mesmo eu quis definir a poesia.

Disse algo como transcender o real.

Mas o som estava muito alto

E era impossível escutar o que

Eu estava dizendo

Porque o som estava muito alto

Alto mesmo.

Acho que foi a primeira vez que falei

Sobre o assunto.

Não lembro.

A Paula estava lá com seus olhos

Sexuais vorazes e comprometidos.

Quando todos estavam loucos

Para ouvir uma boa poesia

Ninguém sabia uma de cor,

Só eu.

Mas o marido da Paula estava lá também.

Acho que era ele

Ou alguém muito parecido com ele.

Não lembro.

E eu ainda insisti em poesia transcendência

Porque todos estavam loucos

Por transcendência

Mas o som estava muito alto

Alto mesmo.

Foi então que conheci a Cláudia

Que me disse que eu já a conhecia

Mas como eu sou um transcendente

Não a reconhecia.

Quando todos debandaram do local,

Saímos em seu carro prateado

E no meio do caminho

Ela me disse que meu nariz estava branco.

E tinha razão : estava mesmo.

Foi então que ela me contou uma história

Muito importante de sua vida

Algo como fui à Indonésia

E meu marido não.

Não lembro.

Quando estava amanhecendo

Ela lembrou que precisava fazer algo

Que até agora não entendi o que era.

Algo como nunca mais ir à Indonésia

Sem meu marido.

Não lembro.

Sem dizer que meu nariz estava branco

Ela me perguntou onde eu morava.

Estranhei a Cláudia neste momento

Sua voz parecia diferente daquela voz

Que contava experiências na Indonésia

E mesmo o seu rosto se transformou

Não sei se para melhor ou para pior.

Não lembro.

No caminho para minha casa

Falou de um namorado que tem ou tinha

Mas que atualmente mora

Não lembro bem aonde agora.

Deixou claro que não come carne

E que o açucar é um veneno.

Ainda falou de um outro alimento nocivo.

Não lembro.   

Acho que era Bukowski.

Ou algo assim.