MAMÃE, ESTA SERVE?

kunleykunleykunleykunley(Trecho da biografia do tibetano Drukpa Kunley (1455-1570), extraído do livro O LOUCO DIVINO (Le Fou Divin) e traduzido livremente por Mantraman). 

Aos vinte e cinco anos de idade, Drukpa Kunley encerrou seu período de aprendizado em monastérios, tornando-se mestre nas artes profanas e mentais. Ele praticava com perfeição a premonição, as materializações e andava com desenvoltura pelos caminhos da magia. Quando retornou à sua cidade natal a fim de visitar sua mãe, ela não se deu conta de que seu filho tinha alcançado o estado de budeidade (iluminação) e continuou a julgá-lo segundo seu comportamento exterior.  

Você deve decidir exatamente o que quer fazer da sua vida, advertiu-o assim que o encontrou, se resolver se consagrar à vida religiosa, deve trabalhar constantemente para o bem dos outros. Se quiser tornar-se um chefe de família, deve arranjar uma mulher que poderá ajudar a sua velha mãe nos trabalhos domésticos.   

Se você quer uma mulher, vou arranjar uma… respondeu-lhe Kunley.  

Ele se dirigiu imediatamente para a praça do mercado onde encontrou uma velha costureira de mais de cem anos, de olhos azuis, cabelos brancos e sem nenhum dente na boca.

Velha Dama, disse-lhe Kunley, hoje você vai se tornar minha esposa. Venha comigo! A velha senhora era incapaz de se levantar. Então Kunley colocou-a  sobre seus ombros e conduziu-a até a casa de sua mãe.

Mamãe! Mamãe! bradou Kunley ao entrar,  você não queria que eu arranjasse uma mulher? Pois aqui está, esta serve?  

Se é isto que você pode fazer de melhor, disse-lhe a mãe, não falemos mais. Leve-a de volta para onde a encontrou. Eu poderia fazer seu trabalho melhor que ela.  

 Muito bem! retorquiu Kunley resignado, se você pode trabalhar por ela, eu a levo de volta.  

À noite, Kunley se aproximou da cama da mãe e levantou sua coberta.O que você quer? ela lhe perguntou.

Hoje de manhã você me disse que daria conta dos trabalhos de uma mulher... sussurrou-lhe Kunley no ouvido.

Criatura sem vergonha! Eu disse que poderia fazer sozinha o trabalho doméstico. Não seja estúpido e volte para a sua cama!  gritou a mãe.  

Você deveria ter me explicado melhor o que quis me dizer esta manhã, retorquiu Kunley deitando-se na cama. Agora é muito tarde. Vamos dormir juntos.  

Saia já daqui, seu miserável! berrou a mãe.  

Mas ele insistiu : meus joelhos estão doloridos e eu não consigo me levantar…  

Mesmo que você não tenha honra, pense na opinião dos outros, imagine as consequências!  

Se você tem medo dos outros, nós poderemos guardar segredo.  

Finalmente, incapaz de encontrar as palavras que o convenceria, ela acabou cedendo : não vale a pena você me escutar. Agora, faça o que desejar.    

Estas palavras bateram em seus ouvidos como água que cai sobre um óleo borbulhante. Ele se levantou deixando-a sozinha na cama.

Na manhã seguinte, foi até a praça do mercado e bradou para os presentes :

Escutem todos! Se vocês encontrarem os meios , poderão subornar e seduzir até as suas próprias mães!           

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