O PODER DO SORVETE DE FLOCOS

Costumo dizer para os meus amigos que tudo que faço pela minha saúde mental e física é ouvir o que o meu corpo tem a dizer. Não sigo nenhuma dieta pré-estabelecida, tenho horror a profissionais da saúde com seus discursos do tipo “ você tem que ter uma alimentação balanceada, ingerir fibras, carboidratos, vitamina E, F, senão você não passará dos sessenta, etc. ”.  Tenho para mim que médicos são especialistas em nos adoecer. E até onde sei, este meu método absolutamente empírico tem se mostrado eficaz. Tanto que depois da minha histórica catapora aos oito anos, nunca mais adoeci.   

Neste fim de semana, mais precisamente no sábado de manhã, quando estava praticando levitação sobre a raia de remo da USP,  meu corpo veio com um pedido inédito : “Mantraman, vamos tomar sorvete de flocos?” Fingi que não escutei (no fundo achei meio absurdo) e segui em frente, em direção ao Instituto Butantã (adoro sobrevoar o Butantã e ver as cobras como se fossem minhocas).  

À tarde quando estava lendo e me divertindo com um livro de John Fante (o meu escritor favorito), ouvi de novo aquela voz “ …e o sorvete de flocos, Mantraman, vem ou não vem?”. Anoitecia e presumi, já que conheço o meu corpo em toda sua extensão obsessiva, que ele não  desistiria tão cedo do sorvete de flocos. Mas, não sei bem porque, resolvi ignorá-lo.  

Quando voltei para a Sala de Navegação de onde mando estes torpedos mantramântricos, comecei a sentir uma estranha dor de cabeça que logo se acoplou a uma dor no fígado que por sua vez estendeu-se a uma suportável mas irritante dor no pulmão. Fiz uma breve retrospectiva da minha recente vida boêmia e concluí que não havia nem fumado nem bebido o suficiente para que tais dores se manifestassem de forma tão violenta. Mas era evidente que algo estava fora do lugar em meu corpo tagarela e para sempre protegido por Deus ou por um de seus asseclas.       

Foi só então que lembrei que costumo dizer aos meus amigos que tudo que faço pela minha saúde mental e física é ouvir o meu corpo. Fui até uma loja de conveniência de um posto BR e arrematei um pote de sorvete de flocos. E não é que ele, o meu corpo, como sempre, tinha razão?   À medida em que ia derretendo aquela iguaria em minha boca, fui sendo tomado por uma sensação de felicidade e relaxamento. Em certo momento, perguntei-me se teria o mesmo prazer caso o sorvete fosse de creme. Difícil saber.  

Hoje, segunda-feira, estou aqui nesta viajante Sala de Navegação, escrevendo esta crônica de Mantraman, tendo como companheira a última dose do precioso sorvete de flocos que salvou a minha vida.  Mas não pensem que eu consumi este nectar da felicidade e da longevidade sozinho. Tive a preciosa ajuda de Rebel, minha adorável Mantrawoman. “Mantraman, ela me disse depois de uma esplêndida sessão de ioga acrobática, vamos acabar com todas as nosssas dores com este maravilhoso sorvete de flocos. ”  

Acho que é o nome, “flocos”, ou o gosto, ou ambos. Ou o calor que fez neste fim de semana. Ou a sabedoria do meu corpo. Ou a alegria que tenho sentido nesta vida. Ou tudo isto ao mesmo tempo.           

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One Response to O PODER DO SORVETE DE FLOCOS

  1. Dom Nena N Moreira disse:

    esse è Tilopinha o Poêta.

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