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	<title>O MUNDO DE MANTRAMAN</title>
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	<description>surrealismo, budismo, amor, rock and roll &#38; viagens</description>
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		<title>MULHERES, MULHERES&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2011 17:34:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mantraman</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um dos traços mais marcantes deste mirrado fedelho chamado século XXI é, sem dúvida,  a consolidação da emancipação das mulheres no mundo ocidental.  Se pensarmos em termos de tempo histórico, diria-se que, em menos de dez minutos elas saíram da ilegalidade e da obscuridade e ocuparam cargos que vão de juízes de futebol a presidências [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mantraman.wordpress.com&amp;blog=3213996&amp;post=1439&amp;subd=mantraman&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos traços mais marcantes deste mirrado fedelho chamado século XXI é, sem dúvida,  a consolidação da emancipação das mulheres no mundo ocidental.  Se pensarmos em termos de tempo histórico, diria-se que, em menos de dez minutos elas saíram da ilegalidade e da obscuridade e ocuparam cargos que vão de juízes de futebol a presidências de repúblicas. É claro que os homens com suas incompetências e suas propensões naturais à desonestidade e à trapaçaria contribuíram para que este avanço se desse de forma tão extraordinária e rápida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas o poder não poupa nenhum ser humano da cegueira e do corporativismo abissal e irracional. Assim, logo aos cinco minutos do primeiro tempo, assistimos aqui e ali alguns desmandos e abusos de autoridades femininas que ocupam cargos de real poder nas sociedades humanas. Fiquemos no Brasil para ilustrar tal afirmação. A nossa presidente Dilma, por exemplo, é clara e abertamente uma adepta da inócua tagarelice feminista. Recentemente nomeou uma ministra do Superior Tribunal Federal sem nenhum argumento razoável que não o fato de ser uma mulher. Dizem os especialistas da área jurídica que havia no mínimo seis ou sete homens capacitadíssimos para o cargo. Mas que a presidente,  que diga-se de passagem, foi eleita com os votos do ex-presidente Lula e, sobretudo, com o voto solidário de milhares de mulheres ( “mulher vota em mulher” ), fechou os olhos para a competência e fez uma escolha no claro intuito de agradar seu eleitorado feminino.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Há nas entrelinhas destes fatos um clara retaliação com o mundo masculino.  Me parece que o alvo a ser atingido não é exatamente a razoabilidade administrativa e sim o homem. Mulheres são muito solidárias quando estão mirando para um alvo masculino. Quando estão à deriva sem nenhuma rota traçada elas são desunidas, competitivas, não se suportam. E isto se dá em qualquer esfera da sociedade humana. No campo das relações amorosas, por exemplo, esta “solidariedade no câncer” é gritante. Um casal pode viver anos a fio tendo a companhia de amigos, amigas e casais sem que nenhum ataque seja feito ao cônjuge masculino. Basta um deslize moral ,traição, por exemplo,  para que elas passem a se encontrar em intermináveis tardes de destilação de veneno, execração pública e demonização da figura em questão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A união que decorre de um fato como este, a traição masculina,  é tão poderosa que o “mau caráter que transou com outra” ( no mundo feminino não existe uma janela onde se contempla um homem se apaixonando por outra mulher, na única paisagem disponível há sempre um homem fazendo sexo com outra ) passa a ser tratado como alguém infectado por um vírus altamente transmissível e letal. Se o casal mora junto, suas roupas são lavadas à parte, e por ele mesmo. Arruma-se um quartinho de despejo onde são arremessados no chão, além do colchão, objetos que ela julga necessários para ele. Todas as amigas – sim que antes eram “nossas amigas”,  voltam-se contra o “canalha” em questão e simplesmente nem atendem o telefone caso visualizem o nome “ Traidor Canalha da Silva” no visor do celular.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nesta furiosa mandala que se cria a partir de um fato absolutamente humano, mulheres que até então se diziam cúmplices tornam-se ferozes inimigas. O poder de absorção desta mandala é tão insano e furioso que pode arrastar para seu território a própria mãe. “ Você fracassou como filho, pai e marido” ela pode dizer de maneira sincopada e venenosa ao telefone para o “ irrecuperável boêmio-fanfarrão- irresponsável” que é o seu filho. E a seguir convoca para participar do Congregação das Mulheres Tocadas Pela Infidelidade, a filha, a prima, a irmã, enfim, agrega sangue familiar na porra da execração pública, sempre seguindo texto padrão da Congregação que é “ você nem imagina o que fulano andou aprontando de novo”. Pronto : esta frase inicial crispa de vida e curiosidade a vida entendiante desta gente que não sai de casa quando chove porque tem medo de relâmpago.       </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Vejam bem : estas mulheres se conhecem há séculos e jamais passaram reles cinco minutos de uma ordinária tarde juntas.  Agora lá estão elas atirando seus dardos em direção ao alvo que é a foto do marido ou namorado de uma delas enquanto repetem o mantra “ homem é tudo igual, homem não presta”. Ora, criaturas, homens não são mulheres. Não são nem superiores nem inferiores – embora esta sociedade pré-matriarcal em que vivemos nos inocule deste veneno da culpa que tem como efeito a sensação de que nós, homens, estamos sempre errados. Homens e mulheres são simplesmente diferentes. Homens produzem sêmen. Mulheres, leite.  </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É preocupante esta distorção de valores que parece caminhar a passos rápidos para um beco sem saída. Creio que é preciso reavaliar o que é o amor. Já sabemos que ele não tem muito a ver com a masmorra do casamento, nem com o claustro medieval da família e tampouco com uma fidelidade obtida a custo de supressão de desejos e mentiras. Estas são características que o duvidoso e interminável sistema capitalista nos deixou como herança. O século XXI, por estas e outras, promete ser agitado no âmbito dos questionamentos e das transformações. Tomara que a Idade Máedia acabe de uma vez por todas.     </p>
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<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mantraman.wordpress.com/1439/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mantraman.wordpress.com/1439/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mantraman.wordpress.com/1439/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mantraman.wordpress.com/1439/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mantraman.wordpress.com/1439/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mantraman.wordpress.com/1439/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mantraman.wordpress.com/1439/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mantraman.wordpress.com/1439/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mantraman.wordpress.com/1439/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mantraman.wordpress.com/1439/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mantraman.wordpress.com/1439/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mantraman.wordpress.com/1439/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mantraman.wordpress.com/1439/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mantraman.wordpress.com/1439/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mantraman.wordpress.com&amp;blog=3213996&amp;post=1439&amp;subd=mantraman&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>ROUBEI A PERUCA DE JESUS</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Nov 2011 14:23:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mantraman</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160; 30/01 &#160; O negócio é tocar a bola e esperar o juiz apitar o fim do jogo. Definitivamente, não há sentido nenhum nesta partida. Tive um dia e uma noite intensos. Agora são cinco e meia da manhã e ao invés de estar dormindo como mandam as normas de segurança da longevidade estou aqui [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mantraman.wordpress.com&amp;blog=3213996&amp;post=1434&amp;subd=mantraman&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>30/01</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O negócio é tocar a bola e esperar o juiz apitar o fim do jogo. Definitivamente, não há sentido nenhum nesta partida. Tive um dia e uma noite intensos. Agora são cinco e meia da manhã e ao invés de estar dormindo como mandam as normas de segurança da longevidade estou aqui refletindo sobre o que vivi nas ultimas vinte e quatro horas. Sinto-me um operário padrão da inutilidade. </p>
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<p>6/02</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Parece que o verão finalmente chegou. Parece. O que seria de mim se me dessem um ano de contas pagas? Hoje de manhã ruiu minha última ilusão financeira : a sra. Beatriz, incisiva, decidida, negou-me adiantamento por obra futurista. À tarde, antes da chuva luminosa e transversal, a visita de Lú, minha penúltima ilusão amorosa. Agora, noite, a poesia, ilusão definitiva. Preciso urgentemente reconhecer o meu lugar no mundo formiga.</p>
<p>&nbsp;</p>
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<p> 18/07</p>
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<p>Semana passada ganhei um troféu. Curiosa sensação. Como sempre, fui à cerimônia de prêmiação para perder. E, no entanto, voltei para casa com a estatueta. Passado o delírio de subir ao palco e receber a arvorezinha de metal, fui tomado por um êxtase egóico sem precedentes. Afinal, era a sociedade coroando meu esforço de escriba. Nada mais importante do que escrever num escritório com o aval da sociedade. Estava ficando inseguro.</p>
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<p>23/09</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltei a usar a substância que produz sede saárica.</p>
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<p>19/04</p>
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<p>Tudo começou quando conheci Spyder, o poeta beat-metafísico português que tinha no seu currículo venda de psicotrópicos para entidades como David Bowie e Iggy Pop. Era como se eu estivese conhecendo alguém que já conhecia há milênios, o Spyder. Junto com ele, Severa, uma garota sensacional com uma história sensacional. Precoce, roubou a peruca de Jesus com apenas 16 anos de idade.   </p>
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<p>29/12</p>
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<p>O roubo da peruca de Jesus criou alento e inspiração para fundação de um fanzine que batizamos de Roubei a Peruca de Jesus. Severa seria a editora, Spyder cuidaria da editoria espírita usando o codinome Gasparzinho, Repepê, o proprietário da nascente mas promissora empresa Companhia das Águas ficaria à frente da editoria de esportes, e eu acabei ficando com o suplemento agrícola que achamos por bem ser verde e roxo e com uma coluna permanente de Nelson Ned.</p>
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<p>02/07</p>
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<p>O maior perigo reside na doença, no sofrimento que a doença produz. Para evitar a armadilha passei a evitar falas médicas e e me entreguei de cabeça a auto-sugestão. Quando a mente está alerta os vírus entram em pânico.</p>
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<p>12/13/14/06</p>
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<p>Foram três dias de intensas ilusões. A primeira chamava-se Cláudia e era alta, loira e bela, muito bela. Tê-la era uma questão meramente estética. A segunda foi Tereza que além da beleza tinha o atributo precioso da loucura. Tê-la era aventurar-me em paisagens inauditas. A terceira, Fernanda, beleza, loucura e poesia. Tê-la era ter-me. No quarto dia caí em mim.</p>
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<p>23/04</p>
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<p>Hoje parecia domingo. E era. Para mim, indiferente. As mesmas dúvidas de sempre. Porque preciso de alguém para amar e ser amado? Onde esta esfinge foi erguida e nublou a minha visão da felicidade? Em que ponto da nossa história genética este berro virou um barro totêmico? Hoje parecia domingo. Mas não era. Era mais um dia de dúvidas. Como todos.  </p>
<p>&nbsp;</p>
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<p>31/03</p>
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<p>Súbita e atroz saudade de Fratelo.</p>
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<p>02/01</p>
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<p>Ninguém me procurou. Todos de férias. Da minha insensatez. Não vejo mais caminho de volta. Roubei a Peruca de Jesus pode vir a ser minha nova ilusão, meu libelo a favor das libélulas. Algo como pilotagem divertida num kartódromo psicodélico. Vou convidar Gracita para usar a peruca de Jesus por uma semana.</p>
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<p>22/07</p>
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<p>Acordei com o firme propósito de encontrar o tempo perdido. Saltei da cama em estado de rara animação e procurei-o nas gavetas e dentro dos livros. Inútil. Quando a manhã ensolarada já ia alta, arranquei o meu coração e interroguei-o a respeito de um certo tempo que havia perdido. Em vão. Disposto a chegar às últimas consequências liguei para o Homem do Tempo. Ocupado. Deseperado, acionei os astrofísicos da Nasa. Nada. Quando tudo parecia perdido o telefone tocou. Era ele.</p>
<p>&nbsp;</p>
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<p>17/11</p>
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<p>Spyder me liga de madrugada com a péssima boa nova : Severa, a nossa editora do Peruca, está em poder da Farcs (Futurismo Aéreo Rebelde ao Cone Sul). Indago-lhe o que ou quanto estão pedindo para libertá-la. Pode parecer absurdo mas os caras querem, simplesmente, ficar com a peruca de Jesus para sempre. Pondero para Spyder que isto seria o fim da nossa última e mais preciosa ilusão. E peço para que ele negocie-me como refém dos terríveis pinguins da Patagônia Mentalis por tempo indeterminado em troca da liberdade da Peruca de Jesus.   </p>
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<p>16/11</p>
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<p>Intuindo que a situação da Peruca de Jesus poderia agravar-se, uso de todos os meus precários dons para alianças políticas e resolvo procurar por Aline Dorel, a famosa atriz e deusa viva do cinema de todos os tempos e direções, espécie de eminência inquestionável para questões ligadas à Peruca de Jesus. Depois de muitos contatos telefônicos, localizo Aline num set de filmagem em Cairo contracenando um filme com Charlton Heston com o nome provisório de “Os 10 Mandamentos”. Explico-lhe, aflito, a gravidade da situação. Com a voz um tanto lenta ela me pede um tempo para resolver a questão. Antes de desligar o telefone ela tenta me tranquilizar alegando que conhece como poucas a Peruca de Jesus.</p>
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<p>05/09</p>
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<p>Mais uma noite de contrasensos. Por mais que eu tente recuperar uma postura de seriedade e continuidade que nunca tive, sou sempre surpreendido pelo acaso e seu sorriso.</p>
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<p>09/11</p>
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<p>Intuindo a gravidade da situação mudamos para Piracicaba. Longe do tumulto metropolitano traçamos estratégias a fim de libertar Severa. Contudo, súbita e avassaladora paixão de Aline Dorel pela Peruca de Jesus inviabiliza nosso plano. Para piorar a situação, Spider apaixona-se por Aline. Repepe tenta remediar o caos internando-se numa fábrica de suco de cajú. Sólido como um gelo alio-me a um pinguim especialista em desatar nós.</p>
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<p>14/08  </p>
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<p>Silenciosamente chove sobre o tempo.</p>
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<p>8/03</p>
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<p>Teste de resistência e fidelidade aos ideais do Peruca de Jesus. Vigiados pelas autoridades locais e pressionados pelas quatro estações e seus efeitos devastadores, presenciamos o nascimento dos 32 filhos de Aline com Peruca de Jesus e a súbita e surpreendente falência da competente fábrica de suco de cajú que livrou Repepe do caos. Colômbia marxista nos envia Severa de volta pelo correio. Irreconhecível, quer transformar o Peruca numa fábrica de biscoito de milho. Percebendo sua ausência, enviamo-a de volta para Colômbia anexada a um livro de Clarice Lispector. Spider emotivo chora pela devolução.  </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>AS CARCAÇAS DE NEANDERTHAL</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Nov 2011 19:15:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mantraman</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Toda vez que estou encalacrado num veículo em meio a um mega congestionamento lembro-me daquelas maravilhosas espaçonaves que levitavam felizes e coloridas nos céus do antológico desenho animado Os Jetsons. É flagrante que muitos daqueles atrevimentos futuristas que habitavam o cotidiano da família, como as extensas esteiras rolantes horizontais, serviram de inspiração para inventores, designers, arquitetos e engenheiros contemporâneos. Mas no tocante aos veículos, ficamos com a opção mais primitiva e ineficaz que são estes automotores rastejantes que se procriam pelas ruas das grandes cidades numa velocidade prá lá de geométrica.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sabe-se que a velocidade média de um carro que trafega hoje nos centros urbanos é inferior à velocidade que andavam as caravanas dos bandeirantes com seus jumentos e botas de Borba Gato. E que só na cidade de São Paulo cerca de 40 mil pessoas morrem por ano por problemas decorrentes de doenças respiratórias provocadas pela enxurrada desumana de monóxido de carbono que estas carcaças de neanderthal despejam diáriamente na atmosfera. Mas por que, oh santos escapamentos &amp; direções hidráulicas!, a indústria automobilística no Brasil continua batendo seguidos recordes de venda de seus anacrônicos, criminosos e nefastos produtos? </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em todas as grandes cidades do primeiro mundo o automóvel tornou-se um “veículo non grato”. Uma repórter televisiva que mora em Nova York, disse numa entrevista que ter carro nesta cidade hoje em dia é considerado algo de extremo mau gosto. Usou mesmo o termo “jeca”. Um amigo meu fez um vôo entre Londres e Oslo, há poucos dias atrás. Contou-me que quando os passageiros chegaram no estacionamento do aeroporto da capital norueguesa, mais da metade foi embora de bicicleta. Sendo que ali havia, à disposição dos passageiros, ônibus, metrô, trem e taxi. </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Bem, diriam os realistas, quem comanda o jogo é o capitalismo, quem comanda o capitalismo é o mercado e quem comanda o mercado são os empresários, feitos de carne e osso, diga-se de passagem. E todos que fazem parte desta “ciranda” – incluindo sindicatos, trabalhadores, os novos consumidores, governo e, sobretudo, os publicitários &#8211; parecem muito felizes com o andar desta carruagem putrefata. Cada qual com o seu interesse. Interesses, que, aliás, estão interligadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A impressão que tenho é que 50% das propagandas exibidas na TV são de automóveis. É algo absolutamente desproporcional. Um desavisado estrangeiro que chegar aqui e assistir meia hora da nossa programação vai achar que o brasileiro é um louco aficcionado por automóveis e que só pensa nisto 24 horas por dia. Há de se notar que nestes filmes, os veículos são humanizados, glamorizados, mitificados, tudo no limite da histérica idiotia. Eles sempre andam em alta velocidade em estradas e cidades vazias e o mundo sempre está aos pés de quem os dirige. Em suma, gera uma sensação de que se você não tem um não é ninguém. E é possível detectar esta cruel falácia quando andamos pelas ruas no papel de pedestre. A grande maioria dos motoristas vê o transeunte como alguém que não é ninguém. Atropelamento é algo corriqueiro. É a própria expressão da barbárie.  </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Soma-se a esta crueldade perpetrada pelo mundo publicitário, feita de ilusão e de mentira, o evidente descaso dos governos com transportes públicos. É absolutamente patético que um passageiro desembarque no Aeroporto de Cumbica, na segunda maior cidade da América Latina, e tenha só duas opções de deslocar-se, de taxi ou de ônibus ( que saem de uma em uma hora e custam o olho da cara). E que depois siga por uma via como a Marginal Tietê ladeada por um rio cadavérico e tendo como companhia milhares de carros que andam a menos de cinco quilômetros por hora, quando andam. No rio, nenhum sinal de vida. Nenhuma barcarola.  Nada. Só desolação e descaso. </p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>ERA UMA VEZ UMA BULGÁRIA</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Nov 2011 17:01:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mantraman</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Lembro-me com uma distorcida nitidez da noite em que ouvi pela primeira vez o nome de Campos de Carvalho. Estava jogando bilhar num daqueles botecos ladrilhados da Cardeal Arco Verde quando um acaso favorável fez com o que o poeta Sérgio Cohn, então editor da sensacional revista de poesias Azougue, adentrasse o ambiente. Disse distorcida nitidez : lembro-me que chovia e que ainda estávamos no conturbado século XX. E que as esferas coloridas ricocheteavam provocando um ruído estridente, agudo. Acho que os ladrilhos eram brancos. E que o Sérgio estava de óculos. Pouco importa.</p>
<p>Sentamo-nos numa mesa e ele me contou que tinha acabado de entrevistar o Campos de Carvalho. “ Quem?” “O maior escritor brasileiro de todos os tempos!” “Como? Nunca ouvi falar deste cara&#8230;” Me parecia impossível eu não conhecê-lo, principalmente porque Sérgio repetiu algumas vezes durante o intenso diálogo que  “o texto de Campos tem tudo a ver com você&#8230;”. Comecei a achar que era ficção. É normal em conversas entre poetas e escritores estes legítimos delírios onde inventamos alguém que nunca existiu para ver até que ponto conseguimos convencer o nosso interlocutor.  Já estava com a cereteza de que era alvo de uma destas brincadeiras quando pedi-lhe para que dissesse alguma frase do escritor. “ Aos dezesseis anos de idade matei meu professor de lógica alegando legítima defesa.” Houve um silêncio. Aquele silêncio que se segue após uma porrada, um forte estrondo, uma tempestade. “É a primeira frase de “A Lua Vem Da Ásia”, uma de suas quatro novelas” disse Sérgio emoldurando meu encantamento.</p>
<p>Depois daquela noite posso afirmar que eu nunca mais fui o mesmo. Um ano depois a editora José Olympio lançaria um livro com as tais quatro novelas ( A Lua Vem Da Ásia, Vaca De Nariz Sutil, Chuva Imóvel e o Púlcaro Búlgaro) e eu me tornaria um discípulo e divulgador emérito da obra de Campos de Carvalho. Me deixei influenciar pelas suas idéias, sua maneira livre e louca de escrever, seu surrealismo intransigente e iconoclasata, seu senso de humor sarcástico e dilacerante. Passei alguns anos devorando aquelas iguarias non-sense-insanas e procurando digeri-las no calor dos textos que escrevia.</p>
<p>Nesta época trabalhava como repórter de uma famosa revista de turismo. Tinha um bom trânsito com os editores e redatores e minhas pautas, embora atípicas e excêntricas, eram aceitas com facilidade e simpatia pela direção da revista. E foi munido deste cacife que entrei numa reunião de pauta e disse-lhes o seguinte : “ Alguém precisa ir à Bulgária e comprovar a existência deste país. Até onde sei, ele não existe.”  Houve uma nervosa gargalhada e a seguir o editor, com uma expressão “este cara vai aprontar, mas vamos ver onde isto vai dar” aprovou a viagem. A pauta, na verdade, vinha de o Púlcaro Búlgaro, uma das quatro novelas de Campos de Carvalho. Na vertiginosa narrativa de aproximadamente cem páginas, o personagem organiza uma hilária e absurda expedição à Bulgária a fim de certificar-se da existência daquele país.</p>
<p>Dias depois estava no avião em solitária expedição rumo à Sófia, a capital do controvertido país. Munido de uma câmera digital e embriagado do espírito surrealista de Campos de Carvalho entrei na fila que me levaria ao Bigode do guarda de fronteira búlgaro e a seguir à possível constatação da existência do tal país. Enquanto esperava minha vez, observava um tapume de madeira que dividia a rua do Aeroporto. A parte inferior deste tapume era vazada o que tronava possível ver sapatos de “cidadãos búlgaros” transitando pela suposta calçada. “Onde há búlgaros há Bulgária”, pensei.</p>
<p>Mas os secretos desígnios que conduzem nossos passos me guardava uma surpresa. Ao abrir meu passaporte o policial olhou-me com assombro e, num inglês típico da região, informou-me que a data do meu visto de entrada estava prevista para dali há quatro dias. E que eu não poderia entrar naquele momento, mas se quisesse poderia esperar na sala de embarque durante os quatro dias ou retornar a Milão, de onde tinha vindo. Olhei para a desolada e gelada Sala com seus sofás e bancos de couro imundos. A tempertaura local era de menos dez graus. Nevava.</p>
<p>Disse-lhe que era repórter de uma revista brasileira de turismo e que estava ali a trabalho. Ele então conduziu-me até uma sala, onde fiquei esperando um funcionário que trataria da minha situação. Neste ínterim de quinze minutos lembrei-me de que a maioria da polícia secreta da ex-União Soviética, a terrível KGB, era composta de búlgaros. Tremi. Então chegou o tal Nariz, o funcionário, acompanhado de mais três mulheres, todas Narizes. “Para quais lugares da Búlgária que você pretendia ir?” perguntou-me já me informando no verbo “pretendia” que eu não entraria no seu país.  </p>
<p>Neste momento eu já tinha entendido que a minha matéria estava em pleno curso, a pauta funcionava, policiais de fronteira búlgaros queriam ocultar de mim a não existência da Bulgária. Respondi-lhe que meu objetivo era “andar sempre frente sob a neve até atingir o Mar Negro.” Ele se sentiu ofendido e retorquiu nervoso “ mas porque você  foi mandado pela sua revista justamente para a Bulgária?” . E esta era a perguntava que eu mais esperava. “ Porque no Brasil há uma desconfiança quanto à existência da Bulgária.” . Imediatamente ele apontou a porta de saída e, acompanhado de dois Narizes masculinos e um feminino, fui jogado no ônibus que me levaria até o avião.</p>
<p>De volta à Milão, bolei um plano para atingir o misterioso país de trem. Dei-lhe o jocoso nome de “Pegando Os Búlgaros De Calça Curta”. Mas fui capturado na fronteira da República Tcheca e deportado para a Áustria, país que não via nenhum mal no fato de um repórter brasileiro desconfiar da existência de um outro país. Em Viena tomei oito cafés com o embaixador brasileiro daquele país enquanto ele não resolvia absolutamente nada e me tratava como seu eu fosse búlgaro e conheci uma garota de programa. Relatei-lhe minha brava saga que já durava três dias. Ela fingiu uma comoção. E abriu suas alvíssimas pernas.</p>
<p>O resto, bem, o resto é segredo</p>
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		<title>PAULA E SANDRIX</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Oct 2011 17:12:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mantraman</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em novembro do ano passado fiquei 15 dias sem falar. Estava cansado do meu repertório, dos meus pensamentos verbalizados, de ter que emitir opinião sobre tudo e todos, enfim, minha língua exigiu férias e resolvi atender ao pedido. Embarquei em um navio rumo a um lugar que chamei de Patagônia Secreta. No décimo dia de navegação, resolvi [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mantraman.wordpress.com&amp;blog=3213996&amp;post=1423&amp;subd=mantraman&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em novembro do ano passado fiquei 15 dias sem falar. Estava cansado do meu repertório, dos meus pensamentos verbalizados, de ter que emitir opinião sobre tudo e todos, enfim, minha língua exigiu férias e resolvi atender ao pedido. Embarquei em um navio rumo a um lugar que chamei de Patagônia Secreta.</p>
<p>No décimo dia de navegação, resolvi fazer fotos sobre o meu silencioso cotidiano. E, entre imagens do altar diante do qual meditava, dos músicos que ouvia, dos alimentos que preparava, apareceu uma foto de duas lindas árvores moradoras do Bosque das Árvores Flutuantes, onde caminhava (e caminho) toda manhã. É bem verdade que eu já as conhecia antes de fotografá-las. Mas, quando descarreguei as imagens no meu computador, fui tomado por um sentimento inédito. Percebi que estava apaixonado por aquelas duas árvores flutuantes. </p>
<p>Quando fui legendar as fotos, seus nomes apareceram na minha mente como que por encanto: Paula e Sandrix. Decidi achar que eram duas árvores primas e que há séculos flutuavam sob a lona encantada do Bosque. Desde então, passei a dispensar um tratamento diferenciado a Paula e Sandrix. Toda vez que me aproximo das duas, meu coração parece acelerar ligeiramente, como se eu estivesse indo ao encontro de uma pessoa que amo muito. Desacelero o meu passo e, enquanto tenho aquela sensação absolutamente nova para mim, caminho em direção às duas cheio daquelas palavras que nascem no coração e viajam quentes até explodir na boca.</p>
<p>Primeiro namoro a Paula, que me parece ser mais velha e, portanto, mais sensível às minhas declarações amorosas. &#8216;Como você está sublime hoje, minha linda Paula&#8230;&#8217;, sussurro-lhe enquanto acaricio de leve com meus dedos a grossa casca que envolve o seu corpo inferior. Encosto meu ouvido no seu tronco e sorvo todo aquele secular silêncio de seivas que grita em seu interior. Em dias de chuva, ela exibe o verde cintilante aveludado de seus musgos e eu toco com meus lábios aquela pele acetinada. Sinto, e isso pode parecer loucura, e pode ser que seja, não importa, que ela percebe a minha presença calorosa, afetiva, e troca, a seu modo, carícias comigo.</p>
<p>Mas logo percebo que Sandrix, a mais jovem e inexperiente, começa a sentir ciúme, um ciúme que parece vir muito mais da saudade e do desejo de ser tocada do que do doentio apego e do meu namorico com Paula. E lá vou eu em direção a ela, envolvê-la em meus braços silenciosos, &#8216;você tem a elegância de uma princesa, Sandrix&#8217;, digo-lhe entre um e outro beijo. Então sento-me sobre suas raízes que invadem a pequena estrada de terra onde as duas moram e assobio uma melodia qualquer, tentando me fazer passar pelo vento. Suas folhas vibram, contorcem-se e, quase sempre, uma delas acaba caindo próxima do meu corpo.</p>
<p>No começo de nossa relação, o ritual durava alguns intensos e mágicos segundos. E quase sempre acabava quando alguém se aproximava de nós três: tinha vergonha de que algum ser humano me flagrasse aos beijos com duas árvores e, disfarçando, saía de fininho com ares de um biólogo profissional. Hoje em dia, contudo, perdi o medo de ser tomado por louco e não são poucos os que me vêem abraçá-las, beijá-las e sussurrar-lhes juras de amor em suas cavidades eróticas.</p>
<p>Esse triângulo amoroso, eterno como o espaço, desprovido de apego, cobranças e outros vícios de linguagem do mundo amoroso humano, está completando um mês. Pressinto que enquanto estiver vivo e morando na mesma cidade, hei de vê-las, abraçá-las e beijá-las todos os dias. Não sei o que elas sentem, pensam, esperam de mim. O mais provável é que seja nada. Um nada cheio de mistério. O que sei é que Paula e Sandrix são minhas duas amantes num reino onde a pureza e a imaginação são soberanas.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mantraman.wordpress.com/1423/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mantraman.wordpress.com/1423/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mantraman.wordpress.com/1423/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mantraman.wordpress.com/1423/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mantraman.wordpress.com/1423/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mantraman.wordpress.com/1423/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mantraman.wordpress.com/1423/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mantraman.wordpress.com/1423/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mantraman.wordpress.com/1423/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mantraman.wordpress.com/1423/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mantraman.wordpress.com/1423/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mantraman.wordpress.com/1423/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mantraman.wordpress.com/1423/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mantraman.wordpress.com/1423/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mantraman.wordpress.com&amp;blog=3213996&amp;post=1423&amp;subd=mantraman&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O MUNDO CRETINO</title>
		<link>http://mantraman.wordpress.com/2011/10/02/o-mundo-cretino/</link>
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		<pubDate>Sun, 02 Oct 2011 16:54:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mantraman</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje faz três semanas que meu filho Otto chegou de Lá.  Lá é aquele lugar onde a Senhora Engenharia dos Mistérios transa com o Senhor dos Acasos e geram estes seres graciosos e cósmicos  que são conhecidos entre nós humanos como bebês. Os bebês vem de Lá completamente sábios. Cabe a nós emburrecê-los ao longo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mantraman.wordpress.com&amp;blog=3213996&amp;post=1420&amp;subd=mantraman&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje faz três semanas que meu filho Otto chegou de Lá.  Lá é aquele lugar onde a Senhora Engenharia dos Mistérios transa com o Senhor dos Acasos e geram estes seres graciosos e cósmicos  que são conhecidos entre nós humanos como bebês. Os bebês vem de Lá completamente sábios. Cabe a nós emburrecê-los ao longo de suas vidas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Suponho que com o Otto não será diferente. Ele chega de Lá num momento em que os seres humanos estão mergulhados, atolados e naufragados num Infinito Oceano de Cretinismo. Os ingênuos e metidos a puro que tentam chegar à superfície são imediatamente atacados com porretes, armas de fogo e insultos de toda a natureza. No Mundo Cretino não há espaço para diferença : todos roubam, trapaceiam, mentem e cultuam com avidez a hipocrisia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Portanto, vou me antecipar à Sociedade/Escola/Mundo Cretino e adiantar ao Otto algumas noções mentais e comportamentais que com cereteza surgirão à sua frente nos próximos anos. Vou fazê-lo entender que vivemos num perdigoto cósmico chamado Planeta Terra que é dividido em 832 micro-perdigotinhos chamados países. A seguir vou explicar-lhe o que é um país. Vamos juntos até a fronteira entre o Brasil e o Uruguai e lá atravessaremos a “linha imaginária” que separa as duas nações. Tentarei ser enfático : “Otto, deste lado é o Uruguai – dou um pulo – e deste o Brasil, entendeu?” Farei de tudo para que ele entenda. Porque o conceito de nacionalismo e suas decorrências como hinos, civismo, bandeiras, é essencial para o desenvolvimento de um Cretino Exemplar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma vez absorvida esta noção de nação – tão desrespeitada pelas extravagantes nuvens navegantes  e formigas selvagens – passaremos a um outro patamar de desenvolvimento de um cretino que está interligado a este primeiro : explicarei a ele o que é o “homem brasileiro”. Mais uma vez vou evitar o inútil e ineficaz campo das palavras e levá-lo em didática/instrutiva viagem ao Rio de Janeiro. Com certeza hei de encontrar aquele brasileiro que há tanto tempo tenho ouvido falar. Na encosta de uma favela ou mergulhando no mar. É um mulato cordial que canta e dança samba. “ Otto, meu filho, este é o brasileiro”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Consciente do que é um país – terras divididas por linhas imaginárias &#8211; e tendo conhecido ao vivo um tipo genuínamente brasileiro – o mulato cordial do samba &#8211; abre-se uma enorme e estonteante perspectiva para a cretinização de Otto que, como já disse, será exemplar. É claro que ele vai me perguntar se mesmo sendo branco e não curtindo muito samba ele também vai poder ser um “brasileiro”. É claro que vai, Otto. Só que você vai entrar na modalidade de brasileiro turista. Quando viajar pelo Brasil todos falarão em inglês com você e mesmo que fale em português sem nenhum sotaque ninguém acreditará que você é brasileiro. Porque brasileiro, brasileiro mesmo é o carioca mulato do samba, meu filho. O resto é tudo turista.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As bases para que Otto se torne um Cretino Exemplar já estarão então lançadas. Neste momento ele poderá dar mais um passo na sua trajetória e se tornar um Cretino Exemplar Atuante. Para que este estágio de cretinice desabroche em sua vida basta ele se tornar um estudiodo das “coisas brasileiras”e, logo a seguir, um artista envolvido com a cultura brasileiro. Pode ser um compositor, por exemplo. Um compositor que abomina tudo o que não é brasileiro e incorpora em sua obra fusões do maculêlê de xita com o carimbozinho tristado. Toda vez que lhe perguntarem do  que se trata sua arte, ele dirá : “é uma arte brasileira” e isto bastará para explicar seu “discurso estético”. É claro que o seu público e a crítica que o consagra , ambos formados por Cretinos Exemplares, alguns atuantes outros nem tanto, vão sussurrar em coro com melodia de hino nacional “ ele é um brasileiro preocupado com o seu país” e logo o aplaudirão e  escreverão críticas repletas de elogios “ele foi buscar nas entranhas do carimbozinho tristado os elementos sonoros para sua cozinha percussiva”. E isto por si só já será um parecer prá lá de favorável. Porque para um Cretino Exemplar meia palavra em língua brasileira basta.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sinceramente espero que com quinze anos Otto já esteja fazendo comparações da cultura brasileira com outras culturas com a desenvoltura de um Cretino Exemplar Pós Graduado. É evidente que a cultura brasileira lhe parecerá sempre muito mais rica, desenvolvida e viva do que qualquer outra. E  que, em termos de beleza, simpatia e cordialidade, o povo brasileiro é imbatível. Neste momento ele poderá fazer uma viagem pelos “velho, combalido e decadente continente europeu” e, como um mensageiro do IV Reich Tropical, levar as mensagens positivas do nosso Mulato Cordial do Samba.</p>
<p>Ensinar o povo alemão a tocar cuíca e só voltar quando cuíca for matéria curricular obrigatória na Itália, Áustria e Irlanda do Norte.  </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mantraman.wordpress.com/1420/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mantraman.wordpress.com/1420/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mantraman.wordpress.com/1420/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mantraman.wordpress.com/1420/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mantraman.wordpress.com/1420/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mantraman.wordpress.com/1420/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mantraman.wordpress.com/1420/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mantraman.wordpress.com/1420/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mantraman.wordpress.com/1420/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mantraman.wordpress.com/1420/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mantraman.wordpress.com/1420/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mantraman.wordpress.com/1420/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mantraman.wordpress.com/1420/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mantraman.wordpress.com/1420/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mantraman.wordpress.com&amp;blog=3213996&amp;post=1420&amp;subd=mantraman&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A IDADE MÉDIA E OS TRIBUNAIS DA VERDADE</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Sep 2011 13:41:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mantraman</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O ser humano ordinário, o tipo comum que é encontrado em todos os cantos deste planeta e que costuma falar a mesma coisa que todos falam porque não pensa com seu cérebro, e que anda sempre em bando e adora se esconder atrás de um número frio, este ser humano, o aparentemente inofensivo, o do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mantraman.wordpress.com&amp;blog=3213996&amp;post=1417&amp;subd=mantraman&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O ser humano ordinário, o tipo comum que é encontrado em todos os cantos deste planeta e que costuma falar a mesma coisa que todos falam porque não pensa com seu cérebro, e que anda sempre em bando e adora se esconder atrás de um número frio, este ser humano, o aparentemente inofensivo, o do povo, o irradiador dos lugares comuns, o amplificador histérico das obviedades, o papagaio previsível, o intransigente defensor do senso comum, que está sempre enxergando um só lado em tudo o que acontece, que se diz tocado/abençoado pela mão de Deus mas que na verdade habita o reino da ignorância e das trevas, este ser humano, que adora criar pequenos ou grandes tribunais para manifestar o seu conservadorismo e junto com aqueles que são simpatizantes às suas idéias paralisantes propagam aos quatro cantos suas orações vazias, temerosas, claudicantes, hostis a quaisquer  idéias que não sejam aquelas mesmas que alicerçam seus mundos infelizes e engessados, este tipinho humano sempre pronto a dar um tiro de misericórdia num inocente e que nas noites clandestinas espalha sua hipocrisia em camas de puteiros mas assim que esporra naquela vagina paga levanta-se da cama e veste seu revólver, este tipo nojento que enche as ruas de uma vida desprovida de cor e que grita, espanca e mata sem a menor cerimônia e que no Natal faz discursos efusivos sobre a beleza e a luminosidade do Menino Jesus mas que em todo o resto do ano rouba, vilipendia e joga um contra o outro, e que está sempre julgando segundo aquelas leis que não resistem a um segundo de luz, este tipinho escroto que me aparece agora de uma maneira clara com seus trejeitos, suas manias de grandeza e seu complexo de eterno e vitorioso situacionista, que jamais entrou dentro da cabeça de uma formiga, para quem a a natureza é um coqueiro a mil milhas de distância, este tipo que nos quer sempre quietos e mortos, na sombra, sorvendo dinheiro, contando o tempo, este tipo, extensão insana da Idade Média, redutor do ser humano a uma espécie de besta movida a causa e efeito, que além de não voar especializou-se em cortar as asas de quem voa, que arrota alto quando está sozinho em seu  carro e no fundo odeia a humanidade e todo e qualquer sinal de vida, eu quero, sinceramente, que ele continue para sempre onde sempre esteve : na merda.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mantraman.wordpress.com/1417/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mantraman.wordpress.com/1417/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mantraman.wordpress.com/1417/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mantraman.wordpress.com/1417/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mantraman.wordpress.com/1417/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mantraman.wordpress.com/1417/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mantraman.wordpress.com/1417/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mantraman.wordpress.com/1417/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mantraman.wordpress.com/1417/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mantraman.wordpress.com/1417/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mantraman.wordpress.com/1417/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mantraman.wordpress.com/1417/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mantraman.wordpress.com/1417/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mantraman.wordpress.com/1417/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mantraman.wordpress.com&amp;blog=3213996&amp;post=1417&amp;subd=mantraman&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O AMOR INVADE TUDO</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Sep 2011 14:33:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mantraman</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Definitivamente, o amor não é um sentimento domesticável. Ou, se preferirem, nem sentimento é.  Prefiro defini-lo como uma insana força da natureza semelhante  a uma onda sísmica que se propaga sobre o coração dos seres humanos. É evidente que me refiro ao amor sem nenhuma pré-concepção – como nos é apresentado em filmes, novelas de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mantraman.wordpress.com&amp;blog=3213996&amp;post=1415&amp;subd=mantraman&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Definitivamente, o amor não é um sentimento domesticável. Ou, se preferirem, nem sentimento é.  Prefiro defini-lo como uma insana força da natureza semelhante  a uma onda sísmica que se propaga sobre o coração dos seres humanos. É evidente que me refiro ao amor sem nenhuma pré-concepção – como nos é apresentado em filmes, novelas de tv e romances com seus personagens que agem segundo as leis de uma cartilha absolutamente previsível. Não, isto não é amor. É um sintoma de medo e debilidade da civilização.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O amor, o verdadeiro, não tem nenhum respeito ou compromisso com a civilização. É autônomo, violentamente desprovido de moral, ética e de todos os estilos de aprisionamento que dão à “civilização”  este aspecto de convivência pacífica entre os cidadãos e cidadãs e desliza num campo selvagem entre bestas, flores que falam e nuvens rasantes. Ele ruge como um leão numa arena romana e, sem pedir licença, invade coração, boca, mente, pau, pés ,dedos, cabelos, rim, memória, dia, noite, passado, norte, sul, tudo. O amor invade tudo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lembro-me do último e talvez mais feroz tsunami da história que aniquilou o Japão. Dentre todas as cenas que presenciamos pela televisão , como aquele navio que foi arremessado a uma distância de dez quilômetros do oceano, uma em especial me chamou a atenção. Numa pequena cidade litorânea, a prefeitura construiu uma imensa muralha de milhares de metros de altura entre a praia e a cidade, a fim de deter e rebater a gigantesca onda. Pois bem, todo aquela primorosa e ardilosa obra de engenharia foi para o chão em questão de segundos. Eis algo que se assemelha à natureza selvagem do amor, amigos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não há diálogo entre entre ele e a razão. O amor não fala a língua do bom senso e tampouco pratica o que chamamos de razoabilidade. Uma vez instaurado segue seu caminho de dominação por um intinerário onde a lógica é sempre aniquilada.  Por ser essencialmente criativo e imprevisível, tem a capacidade de manifestar, por onde passa, diferentes tonalidades, paisagens, aspectos e histórias. Um amor jamais é igual ao outro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em sua fúria criativa o nobre e selvagem sentimento cria embaraços sociais, aniquila famílias, coloca amigo contra amigo. É um mestre em provocar situações que não estão previstas no roteirinho que a humanidade escreveu em seus seis dias de vida. Recentemente um amigo me procurou  para me contar que estava “terrívelmente” apaixonado por duas mulheres.  Sensível e inteligente, deixou-me claro que o que percorria seu coração era amor, o verdadeiro. Por ambas as mulheres. “Tenho amor de sobra para dar às duas e, se a liberdade de sentimento não fosse algo tão aterrorizante teria espaço para uma terceira&#8230;” No entanto, o que ele confessou sentir naquele momento era insanidade entremeada de culpa e medo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A questão que ele me trazia, de maneira cristalina, era como amar intensamente duas pessoas sem ferir o tal código de conduta ética que norteia as relações amorosas na sociedade em que vivemos. Ou seja, o que fazer com o seu excesso de amor. Ou, por paradoxal que seja, como externar o seu selvagem e verdadeiro amor sem machucar as duas mulheres, nossos pais, amigos, o pároco da igreja e toda esta gente que se dedica de maneira integral a deixar o mundo exatamente como ele é. Mas que, em geral, nada sabe sobre ele.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O fato é que, tocado pela intensidade da história, emudeci durante alguns minutos. Um carrossel de pensamentos e sensações instaurou-se em minha mente até que fui possuído por um luminoso insight. “Fulano, eu lhe disse, para qualquer lado que você for haverá sofrimento. A menos que você nutra-se de uma abissal coragem e caminhe em direção a uma terceira margem deste severo rio em que está navegando. Vá ao encontro de si mesmo, entre no calor da sua solidão e divirta-se. O amor, o verdadeiro, ainda não pode desfilar no mundo contemporâneo.”</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mantraman.wordpress.com/1415/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mantraman.wordpress.com/1415/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mantraman.wordpress.com/1415/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mantraman.wordpress.com/1415/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mantraman.wordpress.com/1415/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mantraman.wordpress.com/1415/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mantraman.wordpress.com/1415/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mantraman.wordpress.com/1415/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mantraman.wordpress.com/1415/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mantraman.wordpress.com/1415/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mantraman.wordpress.com/1415/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mantraman.wordpress.com/1415/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mantraman.wordpress.com/1415/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mantraman.wordpress.com/1415/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mantraman.wordpress.com&amp;blog=3213996&amp;post=1415&amp;subd=mantraman&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>NUNCA BUKOWSKI ME CUSTOU TÃO CARO</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jul 2011 17:57:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mantraman</dc:creator>
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		<description><![CDATA[olhando agora o que restou do apartamento, um amontoado de destroços que ela cínicamente cobriu com camadas de ketchup, mostarda, modess usados, cascas de tomate, um solitário e desengoçado caroço de abacate, pitadas de iogurte e ovos, sim, muitos ovos, sobre a cama, sobre o que restou do computador, lembro-me da sua última frase com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mantraman.wordpress.com&amp;blog=3213996&amp;post=1410&amp;subd=mantraman&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>olhando agora o que restou do apartamento, um amontoado de destroços que ela cínicamente cobriu com camadas de ketchup, mostarda, modess usados, cascas de tomate, um solitário e desengoçado caroço de abacate, pitadas de iogurte e ovos, sim, muitos ovos, sobre a cama, sobre o que restou do computador, lembro-me da sua última frase com sentido naquele fatídico e aculturado restaurante japonês onde duas crianças aparentemente islâmicas (e ela, com sua insanidade solta, perguntou-lhes: “vocês são evangélicas, crianças?”) cochichavam e riam de nossa conversa, que, basicamente não versava sobre assunto nenhum, quero dizer, de uma forma retilínea, era mais ou menos como esta narração, um amontoado de impressões e palavras, um epitáfio de um amor que me rendeu as mais sublimes horas de alegria, tensão, ah sim, a frase, ela disse-me entre um e outro sushi, “você não sabe quem eu sou, tenho um lado escuro barra pesada e costumo fazer muita merda quando estou possuída por ele”, ah maggie my girl, tão apaixonante, um senso de humor muito acima da média, uma loucura imprevisível, perdida, perdidinha nos meandros da sociedade, um olhar onde se podia ver sua íris entrando em órbita, uma inteligência menstrual dotada de argumentos cataclismáticos e agora estou aqui sozinho, tendo como companhia um solitário caroço de abacate totemizado, altarizado, olhando agora o que restou do apartamento que resolvi alugar depois de nossa última briga, decidido a nunca mais vê-la, mas o amor, sabem como é? , supera os fatos e aquela briga não foi moleza, ah não foi mesmo, começou por volta das 18 horas depois de termos passado a tarde transando num drive-in barato, meu deus, como éramos contra algo, visceralmente contra algo, e bebendo gim e uísque de quinta categoria e cantando as músicas que tocavam na rádio tão alto, tão alto, que, mesmo estando às moscas o drive-in o gerente veio nos abordar, tarde demais, ela me dava onde eu queria, eu a comia onde ela quisesse, um amor brutal, desses que não se vê aos domingos, movido por um desafio, mas o que, caralho, desafiávamos?, a nós mesmos?, um amor produto de uma sociedade previsível, e quanto odeio o reino previsível das sobrancelhas, tudo em seu lugar, limpinho, cineminha, carro, céus! para o diabo! longa vida aos astronautas! e maggie my girl, butterfly azul nas costas, oh sim quanto ela destoava desta gentalha, e cética, cética até o último fio de cabelo, anti-fada vivendo para o amor, é difícil, agora, ver o apartamento coberto por congelados de frango, mas quem sabe o que é amor, sabe bem sobre o que estou falando, ah sim, nossa última briga, o tempo, fluxo tão vertiginoso, não precisamos de educação, sobretudo a gramatical que, aos nos educar nos aprisiona, mas também nos dá asas, por volta das 18 horas, resolvemos pegar mais um papelote, mas ela não deixava, não porque não quisesse, não deixava eu falar com o trafica, em pleno ano dois mil e nós dois ali, num edifício, apartamento, sabe-se lá o que, sem dormir há dois dias, ouvindo uma MPB da pior qualidade, pedindo bebidas delivery e ela, curioso!, só ela manipulava a substância, com seu jeito gueixa-junckie, “ tem uma pra você na cozinha!”, oh céus que coisa mais demodê, eu que inaugurei este relato citando o velho Buka, como este homem sofreu, às vezes, como divertiu-se, é claro, gargalhadas do velho safado, posso ouvi-las, mas hoje de manhã, sozinho no apartamento 141 deste velho prédio da Avenida Paulista tendo como pano de fundo as buzinas e os motores ( à noite são as britadeiras da Companhia de Gás) decidi que podia ser feliz sozinho, não que ser feliz fosse a minha meta, impossível, não sou idiota, vem cá maggie my girl, me dá esta sua buceta dourada onde todo o cosmos irradia luz, minha dakini jimmi hendrix tântrica, porque nós dois andamos por aí, entre lusco-fuscos “ let me stand into your fire!” , o velho safado, por que citei o Buka?, depois de um surto colérico provocado pela combustão etílica que, somada à sua personalidade psicótica maníaca depressiva, naquela noite, naquele restaurante japonês, e eu havia lhe dado uma ordem de despejo, “uma semana!” oh deus, como é ridícula a SOCIEDADE, TUDO POR SER FEITO, e nós aqui, presos na gravidade, nas sobrancelhas, mitos religiosos, canoas furadas, aliás, eu tinha escrito uma carta para ela, muito objetiva, mas literária, e aí é que não pode, onde lhe dizia que “de agora em diante não somos mais um casal, resolva sua vida psicanalítica e profissional&#8230;” sic sic sim e depois voltaremos a nos ver, como é ridícula a vida previsível, nós dois, sua buceta luminosa e dourada, sobre a capota do veículo, seu padrasto jamais entenderia, “porque chegar a tal ponto?”,  mas voltando ao ponto, nem cheguei a chamar o trafica, mas, afinal, o sexo, orgasmo, tântricas iguarias, toda esta besteira faz parte do ABC século XX versão ocidental, mas, por deus, nada está acontecendo, bem, dizia, nada?, oh sim, sofre-se pra caralho, maggie my girl, por exemplo, sua mente está neste momento desvairada, dormente, e eu nem quis que isto acontecesse, como ser humano, crápula, budista, seja lá o que for, fazer os outros sofrerem é o fim da picada, é a pior sensação que a alma pode sentir e hoje à tarde fui ver sozinho, sem maggie my gril!, um filme mexicano que durou três horas, cabrones, perros, toda esta história de violência urbana, maggie my gril já não mora mais comigo, fazem cinco dias que chamei seu pai para ver a instalação que ela estava fazendo no apartamento, com seus ovos estalados na parede, criativa, destrutiva, sua imagem saindo do edifício, abraçada ao pai, um cara legal, mas um pouco relapso, melhor que eu, sem dúvida, eu só sou o muito relapso com minhas filhas, sei lá o que aconteceu, o que foi acontecendo (adoro esta expressão), mas o fato é que quando nos separamos pela décima segunda vez concluí que nunca mais iria ao cinema e hoje, quem diria?, fui ver o filme mexicano e isto é um excelente sinal, sinal de que fui desamarrado do poste onde você me atou durante nosso romance, seu pai chegou ao apartamento e viu aquela puta arte da filhinha, a anti-querida, que zona, QUE TRISTE!,  um amor ter de passar por isto! que triste, céus, que triste!, e só nós dois sabemos , caralho!, mas o que é mesmo que eu ia falar?, ah sim,  só nós dois sabemos o quanto&#8230;, oh não!  isto é muito ruim para ser escrito, o quanto nos amamos?, caí, desculpem-me, o quanto e como nos amamos, no dia seguinte recolhi todos os seus objetos, atirei-os no quarto de despejo e comuniquei-lhe, “suas coisas estão à sua espera, venha busca-las” mas, tudo de repente pode ser mais um blefe, um equívoco, uma enésima versão de um amor masoquista, tragicamentebelomasoquista, já que estamos doentes, por dentro e por fora, como estamos doentes! , doentes do que?, pergunto, nossa doença é nossa abundância de saúde?, talvez, talvez, e pensar que tudo começou à beira de uma piscina, aquele seu corpinho numa tarde de verão, como te achei bonita, e depois aqueles papos sobre cinema, mulheres inteligentes, numa noite aquele bar de veteranos da madrugada, nós dois ali numa mesa na calçada, meu mal, meu fraco, você sabia articular as palavras de uma forma, digamos, mas hoje, agora, vendo o que ficou do apartamento, paredes, nada mais, e isto já é tudo, paredes, sem elas, já é nada, não é prova porra nenhuma de amor, só se for de um amor insano, insensato, daqueles que aparecem em filmes, e você sempre tão solícita e fã dos filmes, TARANTINO, aquele anedotário metafórico da violência, eu sempre odiei, este caroço de abacate, marrom, de vários tons, este cheiro de pó de café misturado ao sangue da sua menstruação, porque você fez isto?, porque não destruiu as paredes e fez o milagre da quarta dimensão surgir diante de nossos olhos, ávidos, por amor, ávidos por sorvetes, agora, é tarde, nos lançamos ao mar, e agora, água, só este falatório histérico ao redor, palavras maledicentes, difamatórias, no leito da cabine através da escotilha, mar azul e ISTO FOI TUDO nosso prumo, nosso acerto, nossa tempestade em mar disforme, deixamos para trás paris e as pontes gris, fomos no limite, do limite, testamos até os últimos ovos voados tão indelicadamente sobre a cama japonesa, porque?, porque tudo é uma continuidade imprevisível num reino onde a felicidade, o bem estar e a eternidade são transitórias, irmãs em trânsito, nunca bukowski me custou tão caro, não me venha falar em machado, machados, foices, martelos, por favor, deixem suas barbas de molho, costumava me cantar maggie my girl em nossos melhores e mais triunfantes dias, sim, por que sic sic sic o amor é uma vingança, tapete mágico sobrevoando as misérias humanas, o nosso amor, feito de tantas imperfeições, cristianamenteanticristão, milimétricamentecristianoanticristão, <strong>bucetudissimamentemilimétricocristianoanticristãocaralhudubucetamilimetricaanticristianacristã</strong>, rigorosamente, uma buceta com tudo o que há de buceta numa buceta, luz, céu azul, catástrofes marítimas, seguidas de rápidos flasches com gravuras de miró, aquele louco catalão, criança, atroz, viril como um garoto indefeso, tão diferente de bukowski, mas ambos tão putos, tão puros, tão atrozes, quanto maggie my girl, e seu sonoro conto do vigário, ela tinha uma puta grana no banco e deixava que eu me endividasse, pagando tudo, ela merecia, sim, a que ponto cheguei, capital, amor, pagamentos, buceta, apartamento com vista para o suicídio, e tudo num piscar de olhos, foi-se, para o espaço, da lembrança, vida fugidia, transitória, passou, ops, foi</p>
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		<title>DESPEJAR &amp; SAGA DA FORMIGA-CABEÇA-DE-DALI</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jun 2011 02:09:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mantraman</dc:creator>
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<p>O Homem Cabeça de Pêssego&#8230;</p>
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