ORICALCO DE OURO VENCE GP DE ATLÂNTIDA

Janeiro 2, 2009

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Foi disputado na tarde de ontem no Hipódromo de Poseidon, situado no terceiro círculo do Continente de Atlântida, o Octagésimo Segundo Grande Prêmio de Atlântida. A corrida, que foi acompanhada por cerca de trinta mil pessoas, teve como vencedor o cavalo Oricalco de Ouro, seguido por Baal e Medusa. O Grande Prêmio de Atlântida é realizado desde 1926, quando o arqueólogo e mergulhador francês Maracot descobriu a parte submarina remanescente de Atlântida.

 

O Continente, que submergiu nas águas do Atlântico por volta de 9.650 a.C, tinha uma forma elíptica que se estendia por 533 quilômetros de norte a sul e 355 de leste a oeste. Seu exército e sua marinha contavam coma mais de 1 milhão de homens e garantiam ao país segurança interna e domínio em terras estrangeiras. Atlântida tinha colônias em todo mundo e chegou a ameaçar até mesmo o Egito e a Grécia.

 

Desde que foi redescoberta pelo professor Maracot, Atlântida tem recebido grande número de turistas que se aventuram em suas ruínas e trafegam em suas gôndolas-submarinas. A população vive num edifício imenso, presumivelmente construído antes do cataclisma para servir como uma espécie de arca ou refúgio. Ao longo dos séculos depositou-se tanto limo em sua estrutura que agora a única maneira de penetrar em seu interior é pelo teto.

 

Os atlantes conseguiram preservar sua história e suas tradições projetando imagens mentais numa tela, que podem ser vistas como um filme. Dessa forma, os viajantes podem ver a destruição de Atlântida, registrada pelos sobreviventes mais antigos.

 

Apesar de ser sido atingido pelo cataclisma que provocou a quase total destruição do Continente, o Hipódromo de Poseidon conseguiu manter-se praticamente intacto. Os atlantes atribuem tal “milagre” ao deus Moloch e ao amor incondicional que os habitantes sempre mantiveram pelas corridas de cavalo.


LEVITAÇÃO : LAMA FRANCÊS VENCE TORNEIO EM SHANGRI-LA

Novembro 29, 2008

 

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(Vale da Lua Azul, Shangri-lá) Terminou ontem à meia noite, horário local ( meio-dia em Brasília) o 37º Torneio Mundial de Lamas Levitantes na capital do Reino de Shangri-lá, Vale da Lua Azul. O evento que reuniu durante quatro dias lamas de dezoito países, teve como vencedor o francês Gyatso Chöpell que, além de quebrar o recorde local de velocidade ( média de 25,5 kms/hora, a marca anterior pertencia ao lama romeno Dharma Booms, 24,8 kms/hora) e altitude ( 9.570 metros, superando o lama vietnamita Chögyal Gyatso cuja marca era de 9.550 metros), criou uma nova modalidade, a de piruetas no ar por minuto. “ Não foi intencional, fui envolvido por uma fortíssima corrente de ar e quando dei por mim, meu corpo começou a dar piruetas”, revelou o lama francês que mora em Shangri-Lá  e que este ano vai completar um século de vida.

        Shangri-Lá fica na Cordilheira Ocidental dos Himalaias, numa região conhecida por Kue-Lun, considerada a parte mais elevada da Terra. Faz divisa com o planalto do Tibete e é rodeado pela Montanha Karakal cuja altura é de 8.400 metros. Durante mais de setenta anos, o Reino foi considerado uma “peça de ficção” criada pelo escritor inglês James Hilton, em seu livro “Horizonte Perdido”, publicado em 1933. Foi sómente em 2006 que uma expedição comandada pelo explorador de mundos paralelos, o búlgaro Cristo Romanóv, conseguiu desvendar o mistério e inserir definitivamente o Reino de Shangri-Lá no mapa-mundi.

           Mas, apesar de sua existência ter sido revelada ao mundo como uma verdade inequívoca, o acesso a Shangri-Lá continua sendo difícil e restrito. Para conseguir chegar em seus domínios, o turista é obrigado a se sujeitar a uma longa fila de espera no Aeroporto Tsan Tsé, em Baskul, China. O vôo que parte deste Aeroporto em direção a Shangri-Lá , tem saídas incertas e horários indefinidos. A espera pode durar dias e até mesmo meses. A viagem de doze horas só pode ser feita por aviões bi-motores adaptados à precaríssima pista de pouso de Shangri-Lá. Uma caminhada de cinco horas, através de escarpas e aclives montanhosos, separa a pista de pouso da cidade Vale da Lua Azul, a capital do Reino.

           Os habitantes, comandados pelo adorado e misterioso Lama Superior, temem pela invasão de turistas e a conseqüente degeneração da cultura preservada de maneira secreta durante mais de cinco séculos. “ Nunca tantos estrangeiros estiveram aqui ao mesmo tempo” disse Tchang Peng, o chinês de cento e vinte e dois anos de idade responsável pela organização da trigésima sétima edição do Torneio de Lamas Levitantes e a primeira com cobertura da imprensa internacional. Apesar da sua idade avançada, Tchang aparenta ter no máximo cinqüenta anos. Perguntado onde se localiza a fonte da juventude em Shangri-Lá, ele respondeu que “ela está na prática da meditação, no excelente ar que inalamos e na felicidade contínua e moderada que habita cada cidadão de Shangri-Lá”.

            A levitação é uma prática tradicional dos lamas residentes no Monastério Karakal. Segundo estudos científicos, ela só pode se dar em situações atmosféricas semelhantes a encontradas em Shangri-Lá, onde o ar rarefeito diminui considerávelmente o peso do corpo. Mas não é bem assim que pensa o lama Gyatso, vencedor do torneio encerrado ontem à noite : “ dedicamos longos períodos de tempo ao estudo e prática da meditação levitante. Se a ciência estivesse certa estaríamos todos levitando neste momento. E não estamos…”

            Feliz com a premiação de duzentas e vinte sementes de flor de lótus dourada, o francês, que superou o favorito lama tibetano Dharpo Chözang, pretende agora dedicar-se à quebra de um outro recorde : levitar até Paris e dar duas voltas em torno da Torre Eiffel.

 

 


ILHA DO DIA ANTERIOR

Julho 4, 2008

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ideal para quem não gosta de viajar e não chegar a lugar nenhum.

A Ilha do Dia Anterior é assim chamada porque os visitantes não conseguem fixar um ponto no espaço a partir do qual o tempo possa ser medido, o que  torna impossível inscrevê-la no presente.

Quem pretende visitá-la deve saber que não poderá desembarcar na própria ilha. Terá de contentar-se em observá-la de um barco ancorado em sua baía. A olho nú, de binóculo ou telescópio.

Tudo que se sabe sobre a Ilha do Dia Anterior vem de relatos. Como este do  pesquisador holandês Jean V. Doweel : “São comuns as raposas voadoras e o canto dos pássaros são parecidos com a música de uma orquestra onde os instrumentos são assobios, estalidos, cacarejos e tiros abafados.”

O viajante deve estar consciente de que a ilha que vê talvez não seja a mesma que outros vêem, pois a paisagem reflete a experiência do mundo de cada visitante.


BOSQUE ENTRE DOIS MUNDOS

Julho 4, 2008

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lugar tranquilo e perfeito para os que gostam de sonhar. Sem som de pássaros ou animais, tudo o que se ouve em Entre-Dois-Mundos é o som das árvores crescendo. Entre as árvores, o visitante pode mergulhar em lagos que dão acesso a milhares de outros mundos. Apesar de possuirem um tipo de água que não molha a pele, estes lagos podem trazer alguns contratempos aos turistas mais afoitos. “ É extremamente difícil distinguir os diferentes tipos de lagos” alerta o guia de lagos intra-dimensionais de Entre-Dois-Mundos, Gabriel Rossetti, “e é bem possível que um turista desavisado vá parar num mundo errado.” 

 

Para chegar a Entre-Dois-Mundos é preciso adquirir anéis mágicos feitos de um pó que vem originalmente do próprio bosque. Os anéis amarelos levam os  visitantes ao bosque. Os verdes dão passagem para outros mundos. Os turistas que já visitaram o bosque Entre-Dois-Mundos dizem que, apesar de sua aparente quietude, “ele é completamente vivo”. Para Margareth Seight, turista ucraniana que visitou trinta e dois mundos em apenas quinze dias, “o bosque entre dois mundos é rico como um pudim de ameixas.”


A ILUSÃO DAS FRONTEIRAS

Abril 5, 2008

O fato se deu no começo do ano passado : estava em minha casa praticando levitação quando o telefone tocou. Era Macro Céfalo, o lunático e excêntrico editor da revista de viagens Pirlimpimpim onde trabalho como repórter. “ Mantraman, esteja aqui em quinze minutos. Traga bagagem para viagem de uma semana.” Com o Macro é sempre assim, tudo para ontem. Lá chegando, ele estava com um envelope na mão e, como sempre, foi suscinto e direto : ” É o seguinte : estou desconfiado de que a Bulgária é um país imaginário. Em meus quarenta e tantos anos de vida nunca conhecí um búlgaro e tampouco alguém que tivesse ido à Bulgária. Vai lá e confira se este país existe ou não.” E sem mais delongas, entregou-me o envelope com o meu passaporte com o devido visto de entrada e uma passagem aérea para Sófia, capital do referido país.

Pois bem, vinte e quatro horas depois, eu já estava no Aeroporto Internacional de Sófia, sob uma tempertaura de menos dez graus. Pensava comigo, enquanto aguardava na fila de imigração “ desta vez o Macro vai se dar mal, eis aí a a Bulgária com seu aeroporto, seus guardas de fronteira e seu inverno…” Mas quando apresentei meu passaporte para o jovem guarda búlgaro ( o primeiro búlgaro da minha vida ) ele olhou-o com assombro e me informou em seu inglês bulgarizado : “ Sr. Mantraman, o seu visto de entrada só é válido para daqui há cinco dias. Sinto informá-lo, o senhor não poderá pisar em solo búlgaro a menos que espere durante cinco dias na sala de embarque.” Conferí a data de entrada e, de fato, o jovem búlgaro estava certo. Olhei para os sofás congelados da sala de embarque e, entendendo a minha situação complicada, voltei-me para o policial com a seguinte pergunta “ Mas aonde está o mundo livre?” Ele soltou uma gargalhada como se tivesse escutado algo completamente insano. Acabei voltando para o Brasil sem concluir a minha missão,ou, se preferirem, concluindo que a Bulgária de fato não existe.

Lembrei-me desta história quando conversava na semana passada com um amigo físico sobre o tema da moda, o aquecimento global. Tenho uma desconfiança aguda com relação à ciência pelo fato dela lidar com a certeza, uma certeza que, diga-se de passagem, quase sempre acaba se mostrando provisória. E, pelo que tinha lido do famoso relatório assinado por cientistas do mundo inteiro, esta soberba travestida de certeza estava mais presente do que nunca.

Fiz uma série de perguntas a este meu amigo, como “ mas em cem anos a natureza cósmica, que desconhecemos quase que por completo, não poderá nos brindar com algum fenômenos surpreendente, como uma lufada de oxigênio revigorante?” Ou “ do centro da Terra, que conhecemos menos ainda, não poderá brotar uma enzima ou algo que o valha que em menos de dez minutos poderá tapar o buraco da camada de ozônio?” . Mas conversar com cientistas é conversar com a razão em seu grau mais histérico. A verdade é que ele me olhava como se eu fosse um insano absoluto, um despreparado da lógica e da razão.

Foi então que ele me revelou, para minha surpresa, que a única forma de fazermos frente ao famigerado buraco da camada de ozônio é nos unirmos enquanto planeta. Neste caso, pensei em voz alta, pela primeira vez temos pela frente algo que poderá fazer com que as abomináveis fronteiras entre os países percam suas funções. Fui tomado por uma felicidade ímpar.

Desde então tenho pensado no jovem guarda búlgaro. Antes que eu morra, quero muito reencontrá-lo na “fronteira” de seu país e resolver este enigma sobre a existência da Bulgária. Sem meu passaporte, é claro.