
Está tudo certo conosco. O pensamento que pensa em você. A liberdade livre. Parece filme. Hoje eu ví um casal partindo rumo à escuridão : abraçados, dividiam animadamente um potinho de salada de frutas . O que me encanta é você, é o seu segredo. Nele reside a minha vida agora. Só choro às vezes, comendo sucrilhos, “ meu deus, como isto é bom!”.
Nada de novo no mundo a não ser nós. Hoje você veio aqui e me disse literalmente : “ o cérebro em seu leito flui macio e verdadeiro. Mas deixe um desvio acontecer : seria mais fácil para você devolver a correnteza aos seus caminhos quando as correntes cortarem as colinas.”
Odeio estar sozinho mas não suporto interrupções. Abro minha janela e vejo sabe-se lá o quê. Um esquilo, nunca ví. Com binóculos, menos ainda, nem formigas. “Não é possível que no fim o milagre não aconteça.” Como eu pensava em você , enquanto você não vinha.
Ninguém sabe de onde vem o vento. E tampouco as sobrancelhas. Dito isto vamos nos perder.Muito mais razoável, portanto é abrir espaço para o acaso, o fortuito. Afinal, a vida é casual, fortuita. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos. E nos procuramos em vão.
A descendência do caos, do mar e do céu. Ela me explicou, eu não ouví porque estava ocupado inventando um nova visão do amor. A verdade é que não me lembro mais com o que não me conformo. Fã do oxigênio, arauto da luz, protetor das formigas. A vida é uma seqüência de tragédias com pores do sol. E a Amazônia com sua pertubadora bio-diversidade.
Não sei o que será da Avenida Paulista quando Cronus agarrado em Zeus cuspir sua última pedra. De Ipanema quando Iemanjá e suas nove musas conferir o divino poder das canções. O próprio comportamento sexual deverá tornar-se pingüim. E assim por diante.
Guardem isso : “ mudar a mentalidade e a vida dos homens”. Os seres humanos são apenas uma parte do tecido da vida – dependentes do tecido completo para sua própria existência. Não podemos ignorar as formigas. Elas são galáxias em si. E por aí cintilam. Cada animal é um fim em si mesmo – sai perfeito do ventre da natureza e gera filhotes.
Eu falo em nome do verde da folha.
A meta é ar puro circulando, rios correndo limpos e soltos. E a presença de pelicanos, águias e baleias em nossas vidas. Salmão e trutas em nossas correntes. Linguagem cristalina e sonhos bons. Outra operação. Tipo tecido cósmico alinhavado. Não é possível que no fim o milagre não aconteça. Conosco vai tudo bem : não é o medo da loucura que nos vai obrigar a hastear a meio-pau a bandeira da imaginação.
“Mas Mantraman…’
Fim de papo.
Escrito por mantraman