A ESMO NA SAÍDA DO PÂNTANO

Outubro 29, 2009

dv-fernando%20pessoa 

 

quem tem dá pra quem não tem – fernando pessoa tomava absinto a pensar em suas diversas vidas – e daí que o cérebro é um relógio de cuco intergaláctico? – oh pessoa como sintonizo sua solene histeria transpassando o tejo em direção ao atlântico até ganhar o espaço ticket to ride

o comedimento tem produzido excelente panquecas – um coração frio é capaz de empilhar garrafas vazias de uísque numa manhã chuvosa – a guerra é claro está

imagino um guarda-chuva e, embaixo, um chinês magro acariciando uma pedra chamada verdade ilusória

penso-tenso

o zero a zero não convece ninguém – futebol é bola na rede – sexo é orgasmo – carnaval 4 dias

amanhã, amanhã não que é domingo, na segunda, logo de manhã, vou à livraria comprar o tal livro biográfico do pessoa escrito por um espanhol de nome estranho


ASSOCIAÇÕES PENSANTES LTDA

Agosto 28, 2009

 salvador dali

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sempre sonhei com um guarda-noturno que zelasse pelas estrelas e que soubesse de cor os primeiros versos da divina comédia e os recitasse com profunda perplexidade misturando-os aos latidos e miados que povoam as madrugadas da rua onde moro 

 

é sinal divino a cordialidade num rosto velho  – -  quer dizer que o sol nasceu brilhou e se pôs – - quer dizer que a vida sob o céu é luminosamente mágica  – -  quer dizer sem palavras o que se deve ouvir – - quer dizer que o sol nasceu brilhou e se pôs ao mesmo tempo – - quer dizer nos ver 

 

neste exato instante em que os ponteiros do relógio começam a desaparecer soterrados por uma tempestade de areia + os três tempos contidos em cada grão + o vôo livre das associações pensantes ltda  + o quadro que estou pintando neste exato instante + a poeira que nubla a paisagem + o agora ex-relógio fadado ao túmulo

 

brilha prá ninguém já que ninguém tem

+ tempo para a poesia

+ a ilimitada margem que quer dizer imaginação 

 

biscoitos finos são sempre cordiais – - muito embora poesia rime com confeitaria

 

+ muito

 muito +

 

 


PARA FAZER UM POEMA DADAISTA (Tristan Tzara)

Agosto 14, 2009

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Pegue um jornal.

Pegue uma tesoura.

Escolha no jornal um artigo com o comprimento que pensa dar ao seu poema.

Recorte o artigo.

Depois, recorte cuidadosamente todas as palavras que formam o artigo e meta-as num saco.

Agite suavemente.

Seguidamente, tire os recortes um por um.

Copie conscienciosamente pela ordem em que saem do saco.

O poema será parecido consigo.

E pronto: será um escritor infinitamente original e duma adorável sensibilidade, embora incompreendido pelo vulgo.

 


ORAÇÃO DE BOA SORTE

Agosto 9, 2009

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Alguns homens preferem a beleza do céu e dos espaços,

Outros preferem a riqueza das religiões infernais;

Boa sorte aos deuses e às serpentes!

 

Alguns se deliciam praticando a virtude,

Outros se divertem gastando a fortuna dos reis;

Boa sorte aos santos felizes e aos reis miseráveis!

 

Doutor Coutinho gosta de cavalos,

Mantraman gosta de gatos;

Boa sorte ao amante dos cavalos e ao amante dos gatos!

 

Elvis gosta de cerveja,

Tonico gosta de carne;

Boa sorte aos cervejeiros e aos carnívoros!

 

Senhora Tico Tico adora jogar bingo

Enquanto Almerino Pimpão adora cantar;

Boa sorte ao jogador e ao cantor!

 

Bela Bia gosta de recitar o mantra MANI PEME

Andreé Spanovich gosta de peixe;

Boa sorte à amante do Dharma e ao amante do peixe!

 

Anísio Bola 7 só é feliz quando dorme,

Vera Zung Zung só é feliz quando acorda;

Boa sorte ao passivo e ao ativo!

 

Ricardo Boa Praça gosta de religião

O livre Kunley gosta de sua parceira;

Boa sorte ao amante da religião e ao amante das mulheres!

 

Luís Eulálio é feliz no Brasil,

Juan Artigas é feliz na Argentina;

Boa sorte aos que amam o Brasil e aos que amam a Argentina!

 

Garotos bebem cerveja com um vigor heróico,

Vestem roupas transadas e portam anéis delirantes;

Boa sorte ao espírito da juventude!

 

As garotas vestem-se de seda e comem doces,

Adoram fazer amor e se meter no mundo dos meninos:

Boa sorte às garotas e às mulheres!

 

O sentido do Ensinamento e a orelha do ouvinte,

A importância do estudo e o caminho onde é praticado;

Boa sorte aos mestres e aos discípulos!

 

Poema escrito pelo iogue tibetano Drukpa Kunley ( 1455-1570 ) e traduzido livremente por Mantraman.

 

 

 


SOBRE A LAGE DOS PERSAS DISPERSOS

Maio 1, 2009

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o maior perigo consistia em aprender a guiar o carro sem as mãos e deixá-lo à vontade em suas bárbaras manobras pelo desconhecido reino do asfalto como se ele fosse um cavalo que, ciente de sua inconsciência, nos levasse em viagens sobre extensas lages de concreto. ( Estacionamento deserto numa noite de chuva : “ em que lage chegamos?” perguntei “estamos caminhando sobre a Lage dos Persas Dispersos” respondeu a voz que vinha de dentro de uma tenda amarela , chovia, arrisquei : “ estou à procura de um portal, você sabe?, o Tal Portal….” ao que a voz respondeu “ você está parado diante de um, porque não entra?” esquivei-me do convite com outra pergunta “ depois deste portal tem outro portal?” a voz então seca e decidida “ entre e veja você mesmo” vinda da tenda amarela soou como se fosse um estalido interrompendo o ruído da água que escorria sobre a lona “ o que há aí dentro?” arrisquei sem pensar que a resposta viria fulminante como um raio que corta o espaço “ verá um belo e curioso espetáculo onde um cavalo alado canta uma ópera enquanto patina sobre um céu de gelo…ao fundo uma bailarina anã dança frenéticamente sobre uma torre de vidro…” interrompí a descrição “ e quanto ao portal de saída?” a chuva aumentava de intensidade e sobre a Lage dos Persas Dispersos a noite ia entrando no seu mais profundo movimento quando decidi entrar e ver se o tal espetáculo do cavalo alado e da anã dançarina ainda não tinha acabado e à medida em que ia entrando a chuva ia diminuindo e tudo que ficava para trás ia desaparecendo completamente ( em certo momento lembro-me de ter visto um distante mas luminoso incêndio e o súbito desaparecimento do portal enquanto que para frente surgia do vazio um concerto de imagens desconexas ( tigres girando numa multicolorida espiral e nuvens que de tão baixas tocavam a ponta das cartolas de cinco transeuntes que trafegavam através de uma avenida repleta de caixas azuis colocadas simétricamente ao longo das calçadas tortas que exalavam um vapor púrpuro que enevoava e eclipsava os cinco transeuntes “ será que é por aqui que devo seguir?” me perguntei ao me dar conta de que tinha percorrido um bom trecho da Lage “ será este o caminho, afinal?” como a resposta não me parecia fácil e já que aquele universo tinha se instaurado de uma maneira tão inusitada e repentinha à minha frente decidi seguir e quando caminhava sobre a calçada de pedras quentes avistei um camelo coberto de pelos de ouro que ao perceber a minha presença convidou-me “ não tenha medo vamos atravessar o Oceano das Ilhas Perdidas ” olhei de novo para trás e percebi que o incêndio começava a perder o seu contorno e já era um pequeno centro de luz encandescente “ conhece o portal que guarda a entrada de um castelo?” perguntei ao amigo camelo que mastigava uma xícara com asas que batiam como se fossem as asas de um pássaro e foi sómente depois de uns três grãos de areia que obtive uma resposta ( “ tudo o que vejo à minha frente são calçadas quentes”) e deixou escorrer de sua boca um caudaloso líquido verde que rapidamente encobriu toda a avenida formando um oceano por onde passava um navio de pesca ostentando a bandeira de um país cujo símbolo era uma espiral ( caminhei até o cais e quando o navio atracou pude ver claramente em seu convés um veículo metálico andando em zigue zague ( convés que lentamente foi se transformando num monumental autódromo cujo silêncio só era quebrado pelas cíclicas passagens deste veículo e foi só depois da queda de um terço de grão de areia que constatei que no centro do autódromo havia um lago e que em sua margem um pescador arremessava uma linha que caía lentamente sobre a sua superfície esverdeada ( era um homem muito velho cuja barba amarelada entrava lago adentro e os cabelos brancos desapareciam em meio às nuvens ( parecia estar completamente absorto em sua lenta pesca e talvez por esta razão não tenha notado a minha presença e quando me preparava para lhe perguntar “ desculpe, senhor, existe alguma coisa….” o seu anzol fisgou um cavalo que ( patinava q


despejart

Abril 20, 2009

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inconsciente é a fonte determinante das imagens, homem-cabeça-de-pêssego, mostruário de nuvens elétricas distorcidas, um pé de montanha sangrando hortaliças e quando tudo tudo tudo nos remete à poesia intempestiva das noites em que os cometas singram os céus lilases a poesia renasce do desaprendizado ignorância sem essa de repetir o que já foi dito mil mil mil e uma vezes a aventura se limita a flutuar nos buracos quentes do inconsciente quando a mente pede um mentex dourado leve a vagar a prescrutar sem querer e de repente ver aquilo que é insondável um pirata com sua espada laranja mastigando entre os dentes roxos uma sereia claustrofóbica enfiada num pálido foguete metálico cujo vértice é uma tempestade de pétalas fluorescentes sim este psiconeosurrealismo às avessas tudo que pode vir dele e de nossos sonhos onde o chão é móvel e as cidades com seus céus de tapetes voadores e anjos larápios sim este bálsamo- sopro onde o fluxo jorra sangue despejart imagens como aquela em que um arco íris é visto pelos olhos de um sapo azul violeta sua língua salta para fora aassim asssim asssssim falou o tom para breton


DR. EDMUNDO, UM CINEASTA AUTORAL

Janeiro 21, 2009

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BADÓIA, O MELHOR AMIGO DE DR.EDMUNDO

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FREIRAS TENTAM PREGAR O CRISTIANISMO EM DR. EDMUNDO

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