MULHERES, MULHERES…

Um dos traços mais marcantes deste mirrado fedelho chamado século XXI é, sem dúvida,  a consolidação da emancipação das mulheres no mundo ocidental.  Se pensarmos em termos de tempo histórico, diria-se que, em menos de dez minutos elas saíram da ilegalidade e da obscuridade e ocuparam cargos que vão de juízes de futebol a presidências de repúblicas. É claro que os homens com suas incompetências e suas propensões naturais à desonestidade e à trapaçaria contribuíram para que este avanço se desse de forma tão extraordinária e rápida.

 

Mas o poder não poupa nenhum ser humano da cegueira e do corporativismo abissal e irracional. Assim, logo aos cinco minutos do primeiro tempo, assistimos aqui e ali alguns desmandos e abusos de autoridades femininas que ocupam cargos de real poder nas sociedades humanas. Fiquemos no Brasil para ilustrar tal afirmação. A nossa presidente Dilma, por exemplo, é clara e abertamente uma adepta da inócua tagarelice feminista. Recentemente nomeou uma ministra do Superior Tribunal Federal sem nenhum argumento razoável que não o fato de ser uma mulher. Dizem os especialistas da área jurídica que havia no mínimo seis ou sete homens capacitadíssimos para o cargo. Mas que a presidente,  que diga-se de passagem, foi eleita com os votos do ex-presidente Lula e, sobretudo, com o voto solidário de milhares de mulheres ( “mulher vota em mulher” ), fechou os olhos para a competência e fez uma escolha no claro intuito de agradar seu eleitorado feminino.

 

Há nas entrelinhas destes fatos um clara retaliação com o mundo masculino.  Me parece que o alvo a ser atingido não é exatamente a razoabilidade administrativa e sim o homem. Mulheres são muito solidárias quando estão mirando para um alvo masculino. Quando estão à deriva sem nenhuma rota traçada elas são desunidas, competitivas, não se suportam. E isto se dá em qualquer esfera da sociedade humana. No campo das relações amorosas, por exemplo, esta “solidariedade no câncer” é gritante. Um casal pode viver anos a fio tendo a companhia de amigos, amigas e casais sem que nenhum ataque seja feito ao cônjuge masculino. Basta um deslize moral ,traição, por exemplo,  para que elas passem a se encontrar em intermináveis tardes de destilação de veneno, execração pública e demonização da figura em questão.

 

A união que decorre de um fato como este, a traição masculina,  é tão poderosa que o “mau caráter que transou com outra” ( no mundo feminino não existe uma janela onde se contempla um homem se apaixonando por outra mulher, na única paisagem disponível há sempre um homem fazendo sexo com outra ) passa a ser tratado como alguém infectado por um vírus altamente transmissível e letal. Se o casal mora junto, suas roupas são lavadas à parte, e por ele mesmo. Arruma-se um quartinho de despejo onde são arremessados no chão, além do colchão, objetos que ela julga necessários para ele. Todas as amigas – sim que antes eram “nossas amigas”,  voltam-se contra o “canalha” em questão e simplesmente nem atendem o telefone caso visualizem o nome “ Traidor Canalha da Silva” no visor do celular.

 

Nesta furiosa mandala que se cria a partir de um fato absolutamente humano, mulheres que até então se diziam cúmplices tornam-se ferozes inimigas. O poder de absorção desta mandala é tão insano e furioso que pode arrastar para seu território a própria mãe. “ Você fracassou como filho, pai e marido” ela pode dizer de maneira sincopada e venenosa ao telefone para o “ irrecuperável boêmio-fanfarrão- irresponsável” que é o seu filho. E a seguir convoca para participar do Congregação das Mulheres Tocadas Pela Infidelidade, a filha, a prima, a irmã, enfim, agrega sangue familiar na porra da execração pública, sempre seguindo texto padrão da Congregação que é “ você nem imagina o que fulano andou aprontando de novo”. Pronto : esta frase inicial crispa de vida e curiosidade a vida entendiante desta gente que não sai de casa quando chove porque tem medo de relâmpago.       

 

Vejam bem : estas mulheres se conhecem há séculos e jamais passaram reles cinco minutos de uma ordinária tarde juntas.  Agora lá estão elas atirando seus dardos em direção ao alvo que é a foto do marido ou namorado de uma delas enquanto repetem o mantra “ homem é tudo igual, homem não presta”. Ora, criaturas, homens não são mulheres. Não são nem superiores nem inferiores – embora esta sociedade pré-matriarcal em que vivemos nos inocule deste veneno da culpa que tem como efeito a sensação de que nós, homens, estamos sempre errados. Homens e mulheres são simplesmente diferentes. Homens produzem sêmen. Mulheres, leite.  

 

É preocupante esta distorção de valores que parece caminhar a passos rápidos para um beco sem saída. Creio que é preciso reavaliar o que é o amor. Já sabemos que ele não tem muito a ver com a masmorra do casamento, nem com o claustro medieval da família e tampouco com uma fidelidade obtida a custo de supressão de desejos e mentiras. Estas são características que o duvidoso e interminável sistema capitalista nos deixou como herança. O século XXI, por estas e outras, promete ser agitado no âmbito dos questionamentos e das transformações. Tomara que a Idade Máedia acabe de uma vez por todas.     

 

 

 

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